A minha mesa de café, o meu banco de jardim, o meu muro de lamentações, a minha varanda para o mundo

sábado, 31 de dezembro de 2011

A historia extraordinaria de uma menina que lutou contra um cancro


Apenas quase 3 anos depois da sua morte me chega a sua historia.Entra-me em casa , atraves de um programa de Tv que me irrita ate um bocadinho, mas que, hoje, me prendeu imediatasmente.Chama-se Extreme qualquer coisa.
Hoje falava de uma menina americana que lutava corajosamente contra um cancro dos piores, cuja familia vivia numa casa cujas condiçoes eram incompativeis com a sua doença. Uma historia de terror misturada com um conto de fadas.
Chorei muito , muito..Nao sei se pela menina que sofreu tanto ou se pela familia amputada.Nao sei se pela coragem dela, (morreu aos 8 anos e que percurso de sofrimento!!)ou pelo facto de eu nada poder fazer mesmo que vivesse.
Estou-lhe grata, porem , pela luz que afinal tambem derramou sobre a mimnha vida.
Obrigada Boey

sábado, 17 de dezembro de 2011

Como Salazar perdeu a India




Um certo portugal começava a ruir há 50 anos. A 22 de Janeiro de 1961, um comando liderado por Henrique Galvão tomava o paquete português Santa Maria.

A 4 de Fevereiro, o MPLA atacava a cadeia de Luanda e ateava o rastilho para a guerra de libertação de Angola – onze dias depois, a UPA matava e esquartejava mais de 800 pessoas no Norte. Entre Março e Abril, o ministro da Defesa Botelho Moniz tentava e falhava um golpe palaciano para afastar António de Oliveira Salazar do poder.

As eleições legislativas de 10 de Novembro, manipuladas, são precedidas de intensa agitação. Dois dias antes, um voo da TAP que ligava Casablanca a Lisboa era tomado por opositores do regime que lançaram milhares de panfletos sobre a capital e o Sul do país. Na véspera da votação, um grupo de militantes comunistas foge de Caxias num carro de Salazar. Seguir-se-ia o assalto ao quartel de Beja.

Mas era longe da metrópole e de África que o Portugal colonial iria sofrer, ainda em 1961, a sua primeira amputação. A história da queda do Estado Português da Índia tornar-se-ia paradigmática do autismo do regime perante pressões internas e alterações externas. E tornar-se-ia uma história sobre como se conta uma história: como se quiser contar.

Índia pouco portuguesa

Goa, Damão e Diu. Gerações memorizaram estas três palavras como pedaços de um Portugal que ia do Minho a Timor. Capítulo inquestionável da história lusa no Oriente, a portugalidade do Estado da Índia era no entanto dúbia.

Segundo o censo de 1940, dos seus 624.177 habitantes, apenas 1.371 eram descendentes de portugueses. Um terço professava a fé católica, mas apenas 1,1% da população falava português. «Goa não é uma província portuguesa», concluía à data o diplomata espanhol Juan Carlos Jiménez, citado em Xeque-Mate a Goa, o livro da investigadora Maria Manuel Stocker que conta a verdadeira história do fim da presença portuguesa na Índia. «Goa tem todo o aspecto de uma colónia.

Uma minoria portuguesa ocupa os postos fundamentais, secundados por uns poucos goeses. Existe uma pequena classe média comercial, geralmente hindu ou muçulmana, e o resto da população é simplesmente a típica massa amorfa da Índia, apática, faminta, doente, totalmente indiferente e ignorante de problemas que não sejam os de resolver o milagre diário da alimentação», sentenciava.

Vizinha da União Indiana, que conquistara a independência do Reino Unido em 1947, a Índia Portuguesa, pouco industrializada e de parca capacidade agrícola, dependia economicamente do outro lado de uma fronteira porosa. Goa, Damão e Diu, argumenta Stocker, faziam geográfica, social, cultural, linguística e religiosamente parte da vizinha Índia, não tinham valor nem na economia nem na demografia portuguesas e eram sobretudo fonte de encargos.

Mas, na metrópole, a narrativa era outra – a de que Goa era e queria continuar a ser portuguesa. Contava o Século Ilustrado de 29 de Março de 1947 que, contra «vozes vindas da Índia inglesa» que clamavam o fim da presença lusa, «a população em espectaculosas manifestações pediu que Goa permanecesse portuguesa». O ajuntamento era organizado pelo regime.

Fracasso diplomático

Desde a independência que a Nova Deli de Jawaharlal Nehru reclamava a integração da Índia Portuguesa na União Indiana. Era um imperativo ideológico e nacional. Lisboa, por seu turno, queria preservar a integridade da república unitária e evitar um precedente em relação às restantes colónias. Para o efeito, Portugal alterou em 1946 a designação de ‘colónia’ para ‘província ultramarina’, estreando a Índia Portuguesa o novo estatuto.

O conflito era inevitável e o contexto seria favorável à Índia. A Inglaterra, tradicional aliada de Portugal, deixara de ser o fiel da balança internacional. Londres, interessada em manter boas relações com Nova Deli, não mais poderia mediar conflitos num mundo polarizado entre Estados Unidos e União Soviética. Washington e Moscovo eram anticolonialistas e o mesmo carácter tinha a recém-criada Organização das Nações Unidas. Todos cortejavam a Índia.

A contenda foi inicialmente diplomática. Como para romper relações seria necessário estabelecê-las primeiro, portugueses e indianos encetaram laços formais em 1949 – Nova Deli quebrou-os em 1953, perante a ausência de diálogo sobre Goa. A questão internacionaliza-se depois, com intervenções de Nehru na ONU e nas conferências dos países não-alinhados. Salazar mobiliza a diplomacia lusa para uma ofensiva mediática junto dos países aliados. O argumentário centrava-se em três pontos: que a Índia Portuguesa fazia parte da nação há 450 anos, que o regime não discriminava raças ou credos e, por fim, que Goa era um posto avançado na luta contra o comunismo.

Mas os argumentos não colhem. Ignorado por Londres, Washington e a Santa Sé, condenado pela ONU, o regime explorou soluções alternativas para a questão de Goa, alvo de um bloqueio económico e de acções de desobediência civil. Muitas ponderadas à porta fechada, porque questionavam princípios sagrados do Estado Novo. Francisco da Costa Gomes, subsecretário de Estado do Exército, propõe a Salazar em 1960 a realização de um referendo. Questionado sobre um possível veredicto, responde ao Presidente do Conselho: «Se tivermos entre 7 e 10% dos votos a favor podemos considerar que a nossa acção na Índia foi uma soma muito positiva. Porque a Índia não é portuguesa». Exploraram-se contactos secretos com o Paquistão e mesmo com a China comunista, a quem seria oferecida uma base naval.

Batalha ficcionada

Nos anos de 1960 e 1961, a ameaça da guerra em África leva o regime a desinvestir na Índia. Os 12.000 militares que nos anos 50 defendiam o território passam a 3.500. Para Nova Deli, é o momento de agir. Lisboa conhecia os planos de invasão desde o Verão de 1961, mas em vez de um reforço militar optou por nova ofensiva mediática centrada na vitimização de uma pequena nação perante um inimigo pró-soviético. Salazar previa uma «heróica defesa» de portugueses e goeses. Mais do que prever, exigiu-a por telegrama ao governador Manuel António Vassalo e Silva, recomendando um «sacrifício total» e declarando que «pode haver apenas soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos». Lisboa transportou para Goa jornalistas portugueses e estrangeiros. Seriam observadores independentes do sacrifício português, mas acabaram por testemunhar algo totalmente diferente.

A guerra estala na manhã de 17 de Dezembro de 1961 com a morte de dois soldados portugueses em Maulinguém. É decretada a mobilização de todos os militares no activo residentes em Goa, mas apenas um tenente miliciano se apresenta às autoridades. Era o prenúncio do desaire. À meia-noite do dia 18, a Marinha e a aviação indianas iniciam o bombardeamento de posições estratégicas e dão cobertura à entrada de 45.000 soldados em território português. A aviação lusa era ali inexistente e as forças navais incapazes de responder ao fogo inimigo. Um pelotão de artilharia anti-aérea português chegara na noite anterior, no último voo para Goa, disfarçado de equipa de futebol, para tomar posições no aeroporto de Dambolim. Encontram armamento do início do século e munições inutilizadas pela humidade.

As forças portuguesas em Goa antevêem o avanço rápido dos indianos e chegam a ponderar um golpe para decretar a rendição do território. Os oficiais acabam por optar por uma resistência mínima com o disparo de «uns tiros simbólicos». Assim sucede, com a excepção de episódios isolados como o do segundo-tenente Oliveira e Carmo, que em Diu dirige a lancha Vega contra um cruzador indiano e repele vários ataques aéreos. Morreria ao lado de dois outros militares. Ao final da noite de 18 de Dezembro, a bandeira branca esvoaçava em Pangim. A invasão salda-se na morte de 20 portugueses e 21 indianos.

Militares castigados

O sangue derramado não seria suficiente para Salazar escrever a sua narrativa. Recorre à mentira. Em Lisboa, os jornais dão conta da morte de mais de mil portugueses. Os títulos galvanizam a opinião pública em torno do regime mas deixam milhares de famílias de coração nas mãos. Estas só saberiam do destino dos seus filhos meses depois. Os militares portugueses foram aprisionados em campos de concentração indianos. No outro lado do Índico, Portugal retaliava com a detenção de 12.000 indianos em Moçambique. A troca dos reféns acontece a partir de Maio de 1962. O regresso a Lisboa é discreto e inglório. Desembarcam sob a mira das armas da Polícia Militar, são colocados em comboios e encaminhados para as respectivas unidades mobilizadoras. Só depois voltam a casa, cinco meses após a notícia de uma possível morte em terra distante. Dez oficiais do Exército seriam demitidos, cinco reformados compulsivamente e nove suspensos por seis meses.

Goa seria rapidamente esquecida perante o agravamento do conflito em África. Os 463 anos de domínio português na Índia terminariam como uma nota menor da história do Estado Novo, cumpre-se este domingo 50 anos.

pedro.guerreiro@sol.pt

Mulheres, uma das nossas morreu

Aos 70 anos, calou-se a voz da “Diva dos Pés Descalços”, como ficou conhecida a cantora cabo-verdeana.

Em 2004 conquistou um prémio Grammy de melhor álbum de “world music” contemporânea. Em 2009, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, distinguiu-a com a medalha da Legião de Honra entregue pela ministra da cultura francesa.

Em Setembro de 2011, depois de cancelar um conjunto de concertos por se encontrar muito debilitada, a sua editora, a Lusáfrica, anunciou que a cantora pôs um ponto final na sua longa carreira.




A “rainha da morna”, como Cesária Évora também era chamada, morreu esta manhã no hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, Cabo Verde, onde se encontrava internada desde sexta-feira.

A notícia foi confirmada à Lusa pelo director clínico do hospital, que explicou que a morte ocorreu por volta das 11:20 de hoje por "insuficiência cardio-respiratória aguda e tensão cardíaca elevada".

Alcides Gonçalves disse ainda que desde que Cesária deu entrada no hospital esteve internada nos serviços de cuidados intensivos "com um quadro muito complexo".

"Durante este período, ela alternou momentos de lucidez com momentos de inconsciência e esteve sempre acompanhada do seu empresário José da Silva", disse o director.



Cesária Évora condecorada em França
Cantora cabo-verdiana recebeu as insígnias de Cavaleiro da Legião de Honra



A cantora cabo-verdiana Cesária Évora recebeu, hoje, em Paris, das mãos da ministra francesa da Cultura, Christine Albanel, as insígnias de Cavaleiro da Legião de Honra.
'Esta condecoração representa a minha carreira e a aceitação', comentou, à agência Lusa, Cesária Évora.
'Estou muito contente por saber que o Jacques Chirac [ex-Presidente da República Francesa] pensou em mim e me deu esta Legião de Honra', acrescentou a cantora.
O papel desenvolvido pela artista cabo-verdiana no panorama cultural e, em particular ,na área musical a nível mundial está na origem da condecoração com que Cesária Évora foi distinguida, em 2007, pelo então Presidente da República, e que hoje lhe foi entregue pela ministra Christine Albanel.
Cesária Évora 'fez entrar os ritmos cabo-verdianos no património musical mundial', disse a ministra.
Segundo ela, apesar do sucesso e das inúmeras distinções, Cesária Évora 'continuou a ser essa cantora de presença descontraída, que o público, maravilhado, descobriu em Lisboa e depois em Paris.'

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Exposiçao de pintura "Traços e Laços"

Inaugurou-se ontem a minha exposiçao de pintura "Traços e Laços" na Casa dos Transmontanos e alto-Durienses no Porto.
Estiveram presentes para alem dos meus amigos e familaires que resistiram estoicamente a tarde chuva muitos dos associados daquela colectividade alguns dos quais socios-fundadores,que tive a honra de conhecer e de ser agraciada com os seus elogios.
É o caso do Sr Dr. Barroso da Fonte Socio nº 1,poeta,jornalista,filosofo,historiador e escritor de uma extensa lista de livros, vereador da Cultura e Desporto da cidade de Guimaraes;
Do Sr. Augusto Barrias, propritario dos miticos cafes da cidade do Porto, Majestic e Guarany, este ultimo com 2 quadros fabulosos da pintora transmontana Graça Morais.
Do Sr Moura, Presidente da Associaçao;
Da Drª Ulema Pinto, vice-presidente e que tem a seu cargo o pelouro da cultura, a quem devo , todo o interesse desde o inicio para a realizao deste evento,
A todos, o meu sentido muito obrigada

a

domingo, 11 de dezembro de 2011

A Revolta das Palavras- um texto para ler devagarinho

A TRAPEIRA DO JOB
post por José António Barreiros em 2011.10.11

Isto que eu vou dizer vai parecer ridículo a muita gente.
Mas houve um tempo em que as pessoas se lembravam ainda, da época da infância, da primeira caneta de tinta permanente, da primeira bicicleta, da idade adulta, das vezes em que se comia fora, do primeiro frigorífico e do primeiro televisor, do primeiro rádio, de quando tinham ido ao estrangeiro.
Houve um tempo em que, nos lares, se aproveitava para a refeição seguinte o sobejante da refeição anterior, em que, com ovos mexidos e a carne ou peixe restante se fazia "roupa velha". Tempos em que as camisas iam a mudar o colarinho e os punhos do avesso, assim como os casacos, e se tingia a roupa usada, tempos em que se punham meias solas com protectores. Tempos em que ao mudar-se de sala se apagava a luz, tempos em que se guardava o "fatinho de ver a Deus e à sua Joana".
E não era só no Portugal da mesquinhez salazarista. Na Inglaterra dos Lordes, na França dos Luíses, a regra era esta. Em 1945 passava-se fome na Europa, a guerra matara milhões e arrasara tudo quanto a selvajaria humana pode arrasar.
Houve tempos em que se produzia o que se comia e se exportava. Em que o País tinha uma frota de marinha mercante, fábricas, vinhas, searas.
Veio depois o admirável mundo novo do crédito. Os novos pais tinham como filhos, uns pivetes tiranos, exigindo malcriadamente o último modelo de mil e um gadgets e seus consumíveis, porque os filhos dos outros também tinham. Pais que se enforcavam por carrões de brutal cilindrada para os encravaram no lodo do trânsito e mostrarem que tinham aquela extensão motorizada da sua potência genital. Passou a ser tempo de gente em que era questão de pedigree viver no condomínio fechado e sobretudo dizê-lo, em que luxuosas revistas instigavam em couché os feios a serem bonitos, à conta de spas e de marcas, assim se visse a etiqueta, em que a beautiful people era o símbolo de status como a língua nos cães para a sua raça.
Foram anos em que o campo tornou-se num imenso resort de turismo de habitação, as cidades uma festa permanente, entre o coktail party e a rave. Houve quem pensasse até que um dia os serviços seriam o único emprego futuro ou com futuro.
O país que produzia o que comíamos ficou para os labregos dos pais e primos parolos, de quem os citadinos se envergonhavam, salvo quando regressavam à cidade dos fins de semana com a mala do carro atulhada do que não lhes custara a cavar e às vezes nem obrigado.
O país que produzia o que se podia transaccionar esse ficou com o operariado da ferrugem, empacotados como gado em dormitórios e que os víamos chegar, mortos de sono logo à hora de acordarem, as casas verdadeiras bombas relógio de raiva contida, descarregada nos cônjuges, nos filhos, na idiotização que a TV tornou negócio.
Sob o oásis dos edifícios em vidro, miragem de cristal, vivia o mundo subterrâneo de quantos aguentaram isto enquanto puderam, a sub-gente. Os intelectuais burgueses teorizavam, ganzados de alucinação, que o conceito de classes sociais tinha desaparecido. A teoria geral dos sistemas supunha que o real era apenas uma noção, a teoria da informação, substituía os cavalos-força da maquinaria pelos megabytes de RAM da computação universal. Um dia os computadores tudo fariam, o ser humano tornava-se um acidente no barro de um oleiro velho e tresloucado, que caído do Céu, morrera pregado a dois paus, e que julgava chamar-se Deus, confundindo-se com o seu filho e mais uma trinitária pomba.
Às tantas os da cidade começaram a notar que não havia portugueses a servir à mesa, porque estávamos a importar brasileiros, que não havia portugueses nas obras, porque estávamos a importar negros e eslavos.
A chegada das lojas dos trezentos já era alarme de que se estava a viver de pexibeque, mas a folia continuava. A essas sucedeu a vaga das lojas chinesas, porque já só havia para comprar «balato». Mas o festim prosseguia e à sexta-feira as filas de trânsito em Lisboa eram o caos e até ao dia quinze os táxis não tinham mãos a medir.
Fora disto os ricos, os muito ricos, viram chegar os novos-ricos. O ganhão alentejano viu sumir o velho latifundário absentista pelo novo turista absentista com o mesmo monte mais a piscina e seus amigos, intelectuais claro, e sempre pela reforma agrária e vai um uísque de malte, sempre ao lado do povo e já leu o New Yorker?
A agiotagem financeira essa ululava. Viviam do tempo, exploravam o tempo, do tempo que só ao tal Deus pertencia mas, esse, Nietzsche encontrara-o morto em Auschwitz. Veio o crédito ao consumo, a conta-ordenado, veio tudo quanto pudesse ser o ter sem pagar. Porque nenhum banco quer que lhe devolvam o capital mutuado quer é esticar ao máximo o lucro que esse capital rende.
Aguilhoando pela publicidade enganosa os bois que somos nós todos, os bancos instigavam à compra, ao leasing, ao renting ao seja como for desde que tenha e já, ao cartão, ao descoberto autorizado.
Tudo quanto era vedeta deu a cara, sendo actor, as pernas, sendo futebolista, ou o que vocês sabem, sendo o que vocês adivinham, para aconselhar-nos a ir àquele balcão bancário buscar dinheiro, vender-mo-nos ao dinheiro, enforcar-mo-nos na figueira infernal do dinheiro. Satanás ria. O Inferno começava na terra.
Claro que os da política do poder, que vivem no pau de sebo perpétuo do fazer arrear, puxando-os pelos fundilhos, quantos treparam para o poder, querem a canalha contente. E o circo do consumo, a palhaçada do crédito servia-os. Com isso comprávamos os plasmas mamutes onde eles vendiam à noite propaganda governamental, e nos intervalos, imbelicidades e telefofocadas que entre a oligofrenia e a debilidade mental a diferença é nula. E contentes, cretinamente contentinhos, os portugueses tinham como tema de conversa a telenovela da noite, o jogo de futebol do dia e da noite e os comentários políticos dos "analistas" que poupavam os nossos miolos de pensarem, pensando por nós.
Estamos nisto.
Este fim de semana a Grécia pode cair. Com ela a Europa.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

ONU escolhe filipina nascida em Manila .Afinal, onde nasceu o bebé sete mil milhões?


A ONU felicitou hoje simbolicamente uma filipina, Danica May Camacho, nascida com 2,5 quilogramas pouco depois da meia-noite em Manila, como o bebé sete mil milhões. No entanto, a escolha não é pacífica: Índia e Rússia também reclamam para si o título. Tecnicamente, ninguém sabe ao certo onde nasceu ou nascerá o habitante que assinala mais um degrau de mil milhões na escalada demográfica global.


Ainda assim, e apesar da contestação, funcionários das Nações Unidas já visitaram e presentearam os pais da pequena Danica com um bolo de chocolate onde se pode ler “bebé sete mil milhões”.

A menina, cujo nome significa “estrela da manhã”, contará ainda com uma bolsa que visa assegurar o seu acesso à educação e os pais vão receber ajuda financeira para poderem abrir uma loja. Os pais de Danica, que tem um irmão mais velho, mostraram-se surpreendidos com o feito e não resistiram a dizer que a menina é “linda” e “amorosa”.

As Filipinas contam com quase 95 milhões de habitantes, com 10% das raparigas entre os 15 e os 19 anos a serem mães. Enrique Ona, um dos responsáveis pela pasta da saúde no país, espera por isso que este marco ajude as Filipinas a resolver vários problemas relacionados com a população.

O bebé seis mil milhões e o bebé cinco mil milhões, da Bósnia e Croácia, respectivamente, já acusaram as Nações Unidas de os terem destacado na altura e ignorado ao longo das suas vidas. Em 1999, quando nasceu Adnam Nevic, o sérvio eleito como o habitante número seis mil milhões do planeta, o próprio secretário-geral da ONU, então Kofi Annan, pegou-o ao colo, numa cerimónia mediática.

A própria ONU reconhece porém que os seus cálculos não permitem dizer, com exatidão, se é hoje de facto que a população chega aos sete mil milhões, devido ao grau de incerteza das previsões demográficas. “Mesmo o melhor dos censos tem uma margem de erro de três por cento”, disse ao PÚBLICO Álvaro Serrano, coordenador da campanha “Sete Mil Milhões de Acções”, lançado pelo Fundo das Nações Unidas para a População.

Mesmo um por cento de margem de erro – admitido nas previsões demográficas da ONU – significa que o bebé sete mil milhões tanto pode nascer hoje, como ter nascido há seis meses ou vir a nascer até Abril de 2012. O Departamento de Censos dos Estados Unidos – uma das principais fontes de dados demográficos mundiais, além da Divisão de População das Nações Unidas – prevê para Março do próximo ano a meta dos sete mil milhões.

Ainda assim, com base na sua melhor estimativa, a ONU decidiu assinalar simbolicamente hoje – com uma conferência de imprensa do secretário-geral Ban Ki-moon esta tarde, em Nova Iorque – a chegada a um novo patamar da população mundial. E a filipina Danica Camacho apresentou-se primeiro para ficar com as honras da efeméride, reivindicada por pelo menos mais dois países.

A Índia é um deles, depois de a organização Plan International ter anunciado que o bebé sete mil milhões é uma menina chamada Nargis e nascida em Uttar Pradesh, onde há 11 novas crianças por minuto. Situação semelhante à que acontece na Rússia, onde há dois bebés candidatos ao título, das regiões de Kamtchatka e Kaliningrado.

Contagem decrescente
A contagem decrescente o dia de hoje começou há dez meses, no 19.º andar de um arranha-céus de Manhattan, o número 2 da Praça das Nações Unidas. Uma equipa de cinco demógrafos de várias nacionalidades, cada um encarregado de 40 países, territórios e áreas, começou a recolher e trabalhar dados – incluindo do Afeganistão, onde não se realiza um censo desde que a União Soviética invadiu o país, em 1979.

Se 2011 for o ano certo para este novo marco, a população global então terá aumentado mil milhões de habitantes em apenas 12 anos. Os primeiros mil milhões assinalaram-se em 1804 e os demais saltos deram-se em 1927 (123 anos depois), 1960 (33 anos) e 1974 (14 anos), 1987 (13 anos) e 1999 (12 anos). Depois da explosão demográfica do século XX, o ritmo de aumento está a abrandar. Ainda assim, a população mundial deverá chegar a 9,3 mil milhões em 2050 e aos 10 mil milhões em 2100, segundo as mais recentes projecções da ONU.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Nada me faltará- Última crónica de uma mulher inteira


Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.
Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.
Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.
Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.
Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.
Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.
Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.
A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.
Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.
Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.
Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.


Maria José Nogueira Pinto

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Estamos de parabens:a presidencia da assembleia da Republica pertence a uma mulher






Assunção Esteves é a primeira mulher eleita para o cargo de segunda figura do Estado, isto é, presidente da Assembleia da República. Foi aplaudida de pé por todas as bancadas, com inteira justiça – tem um trajecto honrado e brilhante, no Parlamento e fora dele.

Assim, ao segundo dia, depois da infeliz tentativa do primeiro-ministro de impôr ao Parlamento uma figura que não só nunca teve qualquer relação com ele como se candidatou a Presidente da República maldizendo a política e os políticos, a Assembleia da República deu prova da sua nobreza, do seu brio e da sua independência. São importantes estes sinais, num mundo atravancado de oportunismos.

NO SEU excelente discurso, Assunção Esteves recordou que as mulheres políticas trazem «para o espaço público o valor da entrega e a matriz do amor». Esta verdade genérica precisa de ser olhada com atenção, e alterada – até porque o espaço político continua a ser um território esmagadoramente masculino.

O novo Governo, aliás, cuja juventude e competência académica têm sido tão incensadas, carece, à partida, desse sintoma ineludível de progresso que é a paridade. Não porque as mulheres tenham, por determinação genética, especiais dons ou capacidades – mas porque metade da sociedade (mais de metade, no caso português) é composta por elas. É natural que ao primeiro-ministro ocorram primeiro nomes de homens – precisamente porque a política sempre se auto-organizou como um fórum masculino.

Paulo Portas tem feito um esforço activo e continuado para trazer mulheres – e mulheres de qualidade, deve dizer-se – para a política e, sobretudo, para lhes dar lugares de destaque. A ascensão rápida de Assunção Cristas é um bom exemplo disso – e a desconfiança apriorística de muitos comentadores em relação à sua competência para os Ministérios que lhe foram entregues, desconfiança que não se tem aplicado (muito pelo contrário) aos vários ministros sem qualquer experiência governativa que compõem este Governo, é eloquente quanto ao caminho que falta fazer para que as mulheres tenham o mesmo direito que os homens à presunção de capacidade.

Estado de graça, para as mulheres, continua a ser apenas e só sinónimo de gravidez. É pouco, e básico.

Amor e entrega: as mulheres foram e são educadas para viver dentro da música destas duas palavras – o que lhes deu e dá resistência para suportar o insuportável e para perdoar o imperdoável. Também por isso estiveram invisíveis durante a maior parte da História da Humanidade. Os homens foram e são educados para a competição e o combate – com surtos ou momentos isolados de amor e entrega, que funcionam como o descanso do guerreiro.

Numa primeira versão de um dos meus romances havia um homem que às tantas dizia a uma mulher: «Entreguei-me a ti». Mão amiga masculina prontamente me fez ver a inverosimilhança da frase: «Onde é que foste buscar isto? Alguma vez ouviste isto a um homem? Não conheço nenhum que fosse capaz de o dizer. Nem bêbado». Emudeci, corrigi aplicadamente o derrame imaginário, e pensei que o mundo só melhorará quando as mulheres amarem menos e os homens se entregarem mais.

Agora, aos novos governantes exige-se-lhes que se entreguem ao país, que aprendam com as mulheres a manter o entusiasmo e a candura ao longo do tempo e das vicissitudes, e a ousarem a coragem de se manterem fiéis aos seus sonhos – ou seja, a si mesmos.

Inês Pedrosa

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Hoje, mãe, este cérebro que vai perdendo faculdades a olhos vistos, armou-me uma cilada. Esqueceu-se que há 22 anos, partiste, de repente, sem aviso, sem cuidares sequer de mandar um recado, uma nota, um sinal. De repente. Como uma ave que bate asas, rumo a nenhures, rumo ao infinito apenas, assim partiste tu.
E, hoje, eu vesti, como que em festa, um vestido de muita cor, contrariando o que tem sido hábito, quando, me dava conta que, inalterável e inconscientemente, neste dia, algo me obrigava a vestir sempre de uma cor mais consentânea com a cor do meu coração.
Não que seja apologista do luto, esse luto exterior, que nada diz. Visto de negro por outros motivos que não têm nada a ver com a negrura que nos fica na alma ao perdermos alguém.
Mas habituei-me a aceitar, e considerar até acertados, os ditames do meu inconsciente e a gostar mesmo de, nesta data, vestir cores mais escuras.
Hoje, quebrou-se a tradição, mãe, apesar de os olhos ainda se me toldarem, as lágrimas se desatarem e estas linhas se transformarem numa névoa, qualquer coisa difusa e indistinta no monitor.
Não, mãe, já não escrevo no meu caderno, escrevo-te agora, num aparelho que nunca viste, onde fica, milagrosamente, registado, tudo o que escrevo, ao tocar num teclado, que também não sabes o que é mas que depois, um dia, te explico.
Quando nos reencontrarmos, vamos ter tempo para tudo, mãe. Tempo!! Essa coisa voraz e passageira, finita e terrível! E o tempo da tua vida foi tão curto para mim!
Desde que partiste, sou muito mais cerebral; Atenho-me muito mais ao que a cabeça manda e regula. E ambas sabemos bem por quê. É que o coração, mãe, o meu coração, pus-to eu sobre as tuas mãos que estavam tristemente,brancas e geladas, cruzadas sobre o teu peito.
E foi contigo, para sempre!

A tua filha,
C.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sobre o nosso direito de voto

Já muito após o cumprimento da minha obrigação cívica de votar nas eleições do passado dia 6, dei comigo a pensar nesta coisa tão aparentemente sem valor, que é o direito de me fazer ouvir em dia de eleições. Quantos, sobretudo quantas mulheres já pensaram nisto?
A 1ª mulher a votar em Portugal chamava-se Carolina Beatriz Anjo ou Angelo, era médica , (a primeira cirurgiã, em Portugal)natural da Guarda,republicana, feminista, macónica e sufragista , e foi uma emérita lutadora pela igualdade de Género.
O voto depositado nas urnas para as eleições da Assembleia Constituinte, em 1911, pela médica Carolina Beatriz Ângelo, constitui um episódio deveras exemplar de luta pela cidadania e pela emancipação da situação das mulheres em Portugal, numa altura em que o direito de voto era reconhecido apenas a "cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família".
Invocando a sua qualidade de chefe de família, uma vez que era viúva e mãe, Carolina Beatriz Ângelo conseguiu que um tribunal lhe reconhecesse o direito a votar (à revelia) com base no sentido do plural da expressão ‘cidadãos portugueses’ cujo masculino se refere, ao mesmo tempo, a homens e a mulheres.
Como consequência do seu acto, e para evitar que tal exemplo pudesse ser repetido, a lei foi alterada no ano seguinte, com a especificação de que apenas os chefes de família do sexo masculino poderiam votar.
Carolina Beatriz Ângelo foi assim, também, a primeira mulher a votar no quadro dos doze países europeus que vieram a constituir a União Europeia (até ao alargamento, em 1996).
O direito de voto veio apenas a confirmar-se na sua universalidade de género 60 anos mais tarde com o 25 de Abril.
Saibamos, pois, dar valor ao que temos, tantas ,tantas coisas que nos chegam dadas, sem qualquer investimento ou sacrifício da nossa parte sem esquecer também as mulheres e homens que fizeram , com o seu denodo e espírito de sacrifício, do nosso mundo, um mundo melhor.


16/06/2011
Eulalia Gonçalves

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A Criogenia

Congelar, depois da morte, o corpo inteiro (ou só a cabeça), até que se descubra a cura da doença que o atingiu e, então, retornar a vida. Ficção cientifica? Não, nada disso. A criogenia (palavra derivada do grego Kryos — frio) é um campo da criobiologia (ciência que estuda as interações entre a vida e o frio) que vem crescendo a olhos vistos. Afinal, quem não quer ser ressuscitado num futuro em que talvez a morte já não exista? Só em um mês de 1992, uma empresa do ramo congelou três corpos.
Ainda não se sabe ao certo se o método realmente vai funcionar, mas babuínos e cães já foram levados a temperaturas próximas ao congelamento e conseguiram ser reanimados com sucesso (foi o caso do beagle Miles, do cientista americano Paul Segall. O cão ficou 15 minutos inanimado e se recuperou). No entanto, nenhum animal foi trazido de volta à vida depois de congelado à temperatura do nitrogênio líquido (160 graus negativos), usado no processo.

Imediatamente após o atestado de óbito dado pelos médico, o paciente é colocado em um coração-pulmão artificial para impedir a formação de coágulos de sangue. Depois disso, seu sangue é retirado e substituído por uma solução de glicose para não se formem cristais de gelo e as células não sejam danificadas. Ao mesmo tempo, a temperatura do paciente é reduzida o mais rapidamente possível. É igualada à temperatura do gelo seco e, em seguida, o individuo é transferido para cilindros (os chamados dewars) contendo nitrogênio líquido a 160°C negativos. Nessa temperatura, nenhuma ameaça biológica acontece e a pessoa poderá permanecer inalterada por centenas de anos.
É possível que nos próximos cem anos os cientistas aprendam como parar o processo de envelhecimento e isso causar uma revolução social. Os governos tenderão a controlar o tamanho das famílias ou mesmo os casais decidirão voluntariamente não ter filhos para preservar sua qualidade de vida. Uma outra possibilidade inclui a expansão da vida para a lua e outros planetas.
A criogenia é legal?
Ela é ilegal na Colúmbia Britânica (Canadá) e o Estado da Califórnia abriu um processo nesse sentido, mas foi derrotado. Nos Estados Unidos, é perfeitamente legal, desde que seja feita após a morte da pessoa.
Entre as personalidades que supõe-se tenham sido congeladas, estão o excêntrico milionário Howard Hughes e Walt Disney.


Texto extraido do Portal das curiosidades

Digam la se nao lhes apetece ser congelados quando morrerem para poder voltar

Um sociólogo, um bioquímico, um biólogo, um sexólogo, um politólogo, um geógrafo, um escritor, um músico, um padre, dois arquitectos: a Pública desafiou vários especialistas a imaginarem como será daqui a 100 anos o Portugal que hoje vai a votos e que na próxima sexta-feira celebra o seu Dia Nacional. O exercício que se segue, liberto do espartilho do rigor científico, é uma visão, necessariamente fragmentada, de um país que será mais pequeno, mais velho, estará fora da União Europeia e do euro. Mas também será mais democrático, mais evoluído e menos poluído.

Teremos casas evolutivas que se adaptam aos desejos do corpo, “sprays” em vez de roupa para nos protegermos do frio, das bactérias, dos ultravioletas e até da radioactividade. A comida – que também será medicamento – andará nos nossos bolsos em versão desidratada e compactada. Seremos 10,5 milhões em 2111, depois de termos descido aos 8,7 milhões em 2031, teremos comunidades de idosos felizes no Alentejo, seremos chamados a participar nas decisões políticas no âmbito de uma instância de governação à escala mundial. Neste país inventado, os homens rezarão com palavras novas que hoje consideramos improváveis. Agradecerão a Deus as palavras de São Tomás de Aquino e Fernando Pessoa, a música de Mozart e as formas de Siza Vieira. “Dar-se-á mais tempo ao silêncio e à alegria.”

quinta-feira, 2 de junho de 2011

eleiçoes à porta

Ando tomada, como muito boa gente, de uma grande angustia existencial e passo a explicar porquê.Afinal quem é que nos vai governar, depois das eleições? será o PS ou o PSD? Mas esta duvida só tem razão para existir porque nem um nem outro me merecem grande credito. O Sr Engenheiro não diz nada de novo, apenas reproduz um discurso já estafado. E o Passos Coelho em quem depositei inicialmente as minhas esperanças afinal esta a dar provas de grande ingenuidade e mesmo falta de senso. Atenção que eu nada percebo dos meandros da politica e do seu mundo subterrâneo!O meu voto vai para quem , à partida me parece dar de provas de honestidade, coragem , inteligência. Mas tem sido cada desgosto!!!Acreditam, que ainda estou indecisa??E quantos como eu???

terça-feira, 31 de maio de 2011

Situaçao das mulheres sec XIX

"Em 1857 a lei do divórcio foi aprovada e, como é bem conhecido, definiu legalmente diferentes parâmetros morais para homens e mulheres. De acordo com essa lei, um homem poderia obter a dissolução de seu casamento se ele pudesse provar um ato de infidelidade de sua esposa; porém uma mulher não poderia desfazer seu casamento a não ser que pudesse provar que seu marido fosse culpado não apenas de infidelidade, mas também de crueldade".
(Millicent Garrett Fawcett, "O voto das mulheres", publicado em 1911)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Publia Hortensia de Castro- alguem ja ouviu falar??

Publia Hortensia de Castro , portuguesa de nascimento, foi uma das poucas mulheres se não a única a desafiar o preconceito da sociedade do séc XVI , ao ir estudar numa Universidade. Escondida debaixo duma das capas de então, com um gorro, a esconder-lhe as feições, procurava não fazer parte daqueles grupos estudantis que deambulavam pela noite a divertir-se. Sempre caprichosa, para os pareceres da época e com a cumplicidade do irmão que surpreendentemente se tornara seu cúmplice no disfarce, estudava Filosofia, e de Humanidades : grego, latim e hebraico. Quando chegou a altura de fazer os exames, o irmão,Frei Jerónimo, sempre crente na inteligência da irmã, conseguiu por muito incrível que pareça, o apoio dum parente arcebispo mais, ainda a compreensão dum religioso dominicano. NA Universidade de Évora onde acaba por prestar as provas brilhantemente, já assumindo a sua condição feminina recebe de todos os presentes "homens", os maiores elogios. Com 17 anos apenas a distinguir-se de tal forma, quer ir ainda mais além e continuar os seus estudos em Évora, depois de ter estudado em Coimbra. Sua fama ultrapassa fronteiras graças Às carta entusiásticas de André de Resende: o frade dominicano e quando seu nome chega À corte é recebida por senhoras de grande saber daquela época como, a infanta DMaria, irmã de D João III e Paula Vicente , filha de Gil Vicente. Nessa corte feminina, ela distinguia-se pela grande erudicção e saber mas, sobretudo por ter chegado a um estatuto reconhecido de mulher de cultura , num mundo dominante de homens. O que aconteceu a Publia Hortensia ? Seu nome quase desapareceu das páginas da História de Portugal porque , decidiu entrar num convento e levar uma vida de religiosa. MAs, que vida lhe esperava nesse mundo ? Qual seria o homem que apreciaria as suas graças se nem cantar, tocar harpa, ou bordar sabia.................A seguir ao desastre de Alcácer Quibir, não pode continuar a disfrutar desse convivio da elite feminina, que talvez se continuasse a existir, a emancipação feminina, teria tido outras vozes, outras luzes e assim sendo a vida monástica, teria sido a única solução.D Felipe II de Espanha ouvindo gabar os dotes quis ouvi-la, porém foi só um momento para se entreter com a inteligência feminina.
Publia HOrtensia recolhe-se então na Ordem de Agostinhas em Évora, e nos muros fechados da clausura da´azo á sua inspiração, escrevendo poesias em português e em Latim além de diálogos de teologia "Flosculus Theologicus" e morre para hoje em dia estar a ser tão humilhantemente esquecida.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A nossa relação com o dinheiro

Em relação ao dinheiro que se dá e recebe, o meio termo é a liberalidade, e o excesso e a falta são respectivamente a prodigalidade e a avareza. Nestas acções as pessoas excedem-se ou são deficientes de maneiras opostas; o pródigo excede-se em gastos e é deficiente em relação aos ganhos, enquanto o avarento se excede em ganhar e é deficiente em relação aos gastos (...). (ARISTÓTELES, 2001, 1107b)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

As palavras nuas de Torga

Não me perguntes, porque nada sei
Da vida,
Nem do amor,
Nem de Deus,
Nem da morte.

Vivo,
Amo,
Acredito sem crer,
E morro, antecipadamente,
Ressuscitando.

O resto são palavras,
Que decorei,
De tanto as ouvir.

E a palavra,
É o orgulho do silêncio envergonhado.

Num tempo de ponteiros, agendado,
Sem nada perguntar,
Vê, sem tempo, o que vês
Acontecer.

E na minha mudez,
Aprende a adivinhar,
O que de mim não possas entender.


Miguel Torga

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Um murro no estômago do patriotismo bacoco... Já em 2005 era assim,digam-me o que mudou!!!

Tirando o ruído visual e auditivo a que não consigo escapar quando ando no século, vou conseguindo sobreviver à campanha eleitoral autárquica. De vez em quando, passo os olhos e a ironia pelas televisões e sorrio. Conheço de ginjeira (vantagem de ter sido jornalista) esta espécie de gente que anda à caça do voto (e do benefício). Diz-se, muitas vezes, que os políticos em Portugal são mal pagos. Não passa de uma grosseira mistificação, de uma "conversa de treta". Eles fazem-se pagar em contado e em espécie e são poucos os presidentes de câmara que, depois de dois ou três mandatos, não multiplicaram exponencialmente o seu património. Um deles, um dia, até teve o descaramento de me confidenciar (provavelmente, já teria bebido em excesso) que, na política, só não enriqueciam, em Portugal, os burros e os honestos. E ele (reconheceu de imediato) não pertencia a nenhuma dessas duas categorias...
É esta gente que pulula, em campanha, diante dos meus olhos, quando ligo a televisão. Estou a vê-los e estou a imaginar o resto do filme: os apartamentos, os carros, as "gorjetas" dos empreiteiros e dos "empreendedores" imobiliários, depositadas discretamente em contas no estrangeiro a que o braço curto da justiça nunca chega, as "posições" empresariais, os empregos para a parentela, para os protegidos e para as "amantes" e tudo o mais que vem por acréscimo.
No dia em que tudo isto fosse rigorosamente auditado e se soubesse com nomes e números - o país seria higienicamente encerrado por alguma autoridade ética internacional. Somos há nove séculos uma tribo de vigaristas e de farsantes...
Por isso é que Valentim, Fátima, Isaltino, Mesquita, Ferreira Torres e tantos mais vão ganhar, inapelavelmente, as eleições autárquicas no dia 9 de Outubro. Quem os irá eleger? Adivinhai a nacionalidade dos eleitores...

Ademar Santos(Jornalista)
Chega, velhinha, vergada, pelos Invernos.
Fico-me , num deleite, a ouvir a sua voz, enquanto os olhos se me demoram nela.
E já na garganta estrangulo soluços e soltam-se duas cataratas inúteis, para debelar a saudade imensa.
Mais uma vez, é apenas a minha mãe, que, clandestina, assoma à janela do espectral futuro que mora em todos nós.
E que chega, sorrateiro, quando a gente menos pensa..

Sobrinho Simoes, um portugues esclarecido nesta entrevista,longa, mas que vale a pena

A desgovernação do país tira-o do sério.
Manuel Sobrinho Simões, médico, investigador e professor universitário,
diz que Portugal continua a ser vítima do conflito de interesses que
grassa entre as conveniências dos partidos e dos políticos e as
necessidades do país e dos portugueses. Uma análise interessada para
ajudar a sair da crise e a permanecer no euro. Nem que tenhamos de
fazer o pino.

_ Como é que avalia a nossa relação com o trabalho?
No nosso país, uma pessoa que trabalhe todos os dias e que tenha de
assinar ponto é visto como um falhado. Quando me tornei professor
catedrático até os meus amigos de Arouca ficaram decepcionados
quando perceberam que a minha vida ia continuar a fazer-se das
mesmas rotinas. E mais recentemente, no Hospital de São João (Porto),
a maior parte dos professores da Faculdade de Medicina foram contra
a fiscalização do horário de trabalho dos médicos através da leitura da
impressão digital - o dedómetro - mas eu fui a favor. É humilhante? É.
Sobretudo para quem tem funções de direcção. Mas tem de ser assim,
porque infelizmente muitos de nós não cumprimos. Caricaturando a
coisa, pode dizer-se que em Portugal só quem não sabe fazer mais nada
é que trabalha, isto é, tem uma rotina, cumpre horários, produz e
presta contas.
_Esses traços são distintivos só dos portugueses?
Não, este problema não é só nosso. A Europa conseguiu garantir boas
condições de vida aos seus cidadãos à custa da exploração dos povos e
dos países da Ásia, da América Latina e de África. Uma boa parte do
Estado Providência assentou na exploração das matérias-primas e do
trabalho daqueles países. Com o aparecimento de economias emergentes
muito competitivas e a deslocalização das fábricas, a Europa começou a
criar menos riqueza e as dificuldades em conseguir manter o chamado
estado social começaram a aparecer. Não é por acaso que a França tem
de mudar a idade da reforma. É um sintoma.
_Prenúncio do fim do Estado social?
Com o crescimento da Índia, da China e do Brasil, a Europa ressentiuse
e as pessoas começaram a perceber que vão ter de mudar de vida,
que o tempo das mordomias já passou.
_Mas para nós, portugueses, esse tempo mal começou...
Pois é, mas para nós vai ser ainda pior. Os portugueses, além de
europeus, são culturalmente mediterrânicos, o que não nos afasta muito
dos gregos, dos italianos e dos espanhóis do Sul, com todas as
influências que são ditadas pela geografia, pelo clima e pela religião.
Sermos judaico-cristãos é muito diferente de sermos calvinistas e
protestantes. Além disso nunca corremos o risco de morrer de frio e
estamos na periferia, não tivemos guerras e ninguém nos chateou. Na
verdade, somos muito individualistas e estamos mais próximos dos
norte-africanos do que dos povos do Norte da Europa.
Somos um país mais mediterrânico do que atlântico, com todas as
implicações que isso tem até na nossa produtividade.
_Então a diferença entre nós e o resto da Europa, sobretudo os
nórdicos, não está nos genes?

Claro que não. A diferença entre nós e os nórdicos não está nos genes,
é fruto da cultura e da educação, da geografia, do clima e da religião.
Eles tinham frio, era-lhes difícil cultivar cereais e não tinham vinho.
Para sobreviverem tiveram de estimular a inovação e a cooperação. Ao
contrário de nós, que tínhamos um bom clima, uma agricultura fértil e
peixe com fartura. E depois tivemos África, a seguir o Brasil e logo os
emigrantes. Não precisámos de nos organizar e não precisámos de nos
esforçar. Não era preciso. Não planeávamos, desenrascávamos.
Continuamos assim, gostamos de resolver catástrofes.
_É sindicalizado?
Não.
_Fez greve?
Sim, eu e a maioria dos professores de Anatomia Patológica da
Faculdade de Medicina. Fizemos greve e estamos furiosos mas
assegurámos o serviço no hospital e demos aulas na Faculdade, onde
também não faltámos por causa dos alunos. É uma questão de
respeito.
_Estão furiosos com quê?
Com a desgovernação. Não é só com a desgovernação do actual governo,
é com o desnorte dos últimos vinte e tal anos. O que nos está a
acontecer não resulta apenas da desorientação dos últimos dois anos, já
há muito que gastamos acima do que podíamos e devíamos. E o mais
grave é que demos sinais errados às pessoas. Agora, vamos ter de
evoluir de novo para uma sociedade com capacidade de produção real,
com agricultura e pesca.
_Mas todos temos na memória os subsídios que foram concedidos aos
agricultores para não produzirem.

Foi terrível. E para piorar as coisas, muitos ficaram deprimidíssimos e
frequentemente alcoólicos. Destruíram as vinhas, a sua âncora, que lhes
dava prestígio e dignidade pessoal nas suas comunidades, e começaram
a passar os dias na taberna. Isto aconteceu em todo o Minho. E no
Alentejo também.
_Podemos dizer que o nosso super-Estado tem descurado as
necessidades reais dos cidadãos e da sociedade?

Desde o tempo do Dr. Salazar que o Estado faz questão de proteger os
seus e nós temos aprovado esse amparo. Mas os nossos cidadãos não
têm grandes conhecimentos e perguntam pouco, até temos aquela
afirmação extraordinária que é «se não sabes porque perguntas?». Ora
quando temos dúvidas é que devemos perguntar. Por estas e por outras,
nas últimas décadas, dominado por ciclos eleitorais curtos, o Estado
passou a viver acima das suas possibilidades e a substituir-se à
realidade. E, de repente, a realidade caiu em cima do povo.
_Os portugueses têm razões para se sentirem enganados ou não
quiseram ver a realidade?

As duas são verdade. Podemos ofuscar o real durante algum tempo, mas
não para sempre. As imagens da Grécia, com reformas aos 55 anos ou
até mais cedo para as chamadas profissões de desgaste rápido,
permitiram-nos perceber que se eles tinham entrado em colapso também
nós corríamos o risco de vir a acontecer-nos o mesmo. Até essa altura,
creio que muitas pessoas acreditavam, lá no seu íntimo, que nem os
países, nem a segurança social, nem o Serviço Nacional de Saúde
(SNS), nem as câmaras municipais podiam entrar em bancarrota. Agora
já perceberam que isto pode mesmo entrar em ruptura. Para já
reduziram até dez por cento o ordenado dos funcionários públicos, mas
no ano que vem pode vir a ser necessário chegar aos vinte por cento. E
que é que adianta andar a papaguear que é inconstitucional e que mexe
com os direitos adquiridos? Se não há dinheiro o que é que se faz? Esta
questão é que tem de ser respondida.
_Não há dinheiro para o Estado social mas tem havido para obras e
infra-estruturas. O que pensa disto?

Eu não sei o suficiente para perceber quando é que é necessário um
novo aeroporto em Lisboa ou em Beja. Mas como sou um prático, penso
que se não é preciso no imediato e temos falta de dinheiro, então
temos de investir na criação de riqueza e de emprego e não em obras
que têm um retorno mais longínquo.
_Não quer um TGV para o Porto?
Eu não. O que quero é que a TAP faça voos mais baratos. Um bilhete
Porto-Lisboa-Porto custa 283 euros, o mesmo que gasto para ir a Oslo.
O comboio que temos, o Alfa e o Intercidades, já é muito cómodo mas
para ir a Lisboa não é prático, ou nos levantamos de madrugada ou
perdemos metade de um dia. O que também necessitamos é de nos ligar
à Galiza com mais eficiência porque o aeroporto do Porto tem condições
para ser o grande aeroporto do Noroeste peninsular.
_Se fosse governante imagina-se a discutir tantas vezes os mesmos
assuntos?

Não. Falta-me experiência política, não tenho treino de negociação.
Mas assusta-me saber que há tantas dúvidas sobre investimentos
monstruosos. Não consigo perceber porque se continua a discutir a
ligação de Lisboa a Madrid por TGV quando aquilo não tem hipótese
nenhuma de ser sustentável.
_Os impactes da crise económico-financeira foram durante muito tempo
menosprezados pelos governantes. O que pensa disso?

O que senti e sinto é que se não fosse este governo, se fosse outro,
teria sido exactamente a mesma coisa. Temos uma crise económicofinanceira,
mas também temos uma crise de líderes - os políticos
portugueses gritam muito contra o estado das coisas e, depois, para
ganharem eleições adoptam um discurso demasiado optimista. A primeira
coisa que todos os que venceram eleições nos últimos anos fizeram foi,
uma vez eleitos, dizer que isto estava uma tragédia. E toda a gente
sabe que a maquilhagem do défice foi feita à custa de receitas
extraordinárias quer por governos do PS quer do PSD.
_Somos ingovernáveis?
Os nossos líderes e os seus partidos vivem mais para ganhar eleições do
que para servir o país e os interesses da nação. Na administração
pública até os directores-gerais cessam funções quando há mudança de
governo. Ora é óbvio que, assim, qualquer um quer que o seu partido
continue no governo, se não corre o risco de ir para a rua. O nosso
individualismo militante e a fragilidade organizativa contribuem também
para a ingovernabilidade.
_
_Acha que os países europeus mais fortes, nomeadamente a Alemanha,
vão continuar a tolerar os nossos esquemas?

Não. Vão ser implacáveis porque é a Europa e o projecto União Europeia
que estão em causa. Este ano, só a Índia vai pôr no mercado mais
engenheiros do que todos os 27 países da Europa. O que é que a França
ou a Alemanha representam na competição com a Índia? As pessoas não
têm consciência da nossa dimensão. Eu dou aulas na China, em
Chengchow, uma cidade que ninguém conhece a sul do rio Amarelo, na
província de Henan, onde fica o templo de Shaolin. Só esta província
tem cem milhões de habitantes e a cidade de Chengchow tem sete
milhões. É outra escala. O campus universitário de Chengchow, onde
estão sempre uns guardas de metralhadora em riste, é simplesmente
enorme. Os hospitais não são apenas maiores, são melhores do que o
São João, aqui no Porto, ou o Santa Maria, em Lisboa. Não estamos a
falar de Xangai, de Hong Kong ou de Pequim, essas são cidades
extraordinárias. Estamos a falar de uma cidade de que não se ouve
falar mas que tem uma universidade que é uma coisa de um mundo que
já não é o nosso. Isto para dizer que a Europa ou se enxerga ou
desaparece.
_O estado a que isto chegou era evitável?
Fomos sempre muito bons a avaliar meios, mas nunca quisemos avaliar os
resultados. Nos hospitais vejo muita gente preocupada em discutir o
número dos médicos, enfermeiros, consultas e exames realizados. E não
se discute o mais importante que é a frequência das complicações e da
mortalidade dos doentes, os reinternamentos, a sobrevida dos doentes
com cancro aos 5 anos, etc. O que precisamos de conhecer é a
quantidade e a qualidade de vida dos doentes que são tratados em cada
um dos nossos hospitais, mais do que avaliar os meios. O mesmo sobre
os blindados da PSP. Não quero saber se comprámos dois ou seis. O que
precisamos de saber é como e quanto é que a eficiência da PSP aumenta
com os ditos blindados. Nós fugimos aos «finalmente». Não temos
cultura de avaliação.
_Entretanto as universidades formaram muitos jovens. Eles não têm
lugar em Portugal?

Pois não. Nesta altura não há espaço para os jovens. Os muito bons vão
logo para fora e os outros também vão, ou como bolseiros ou já como
profissionais. E eu acho que é uma boa solução para o país - por
exemplo, entre enfermeiros, médicos e médicos dentistas temos uma
leva de emigrantes diferenciados em Inglaterra de que nos devemos
orgulhar.

_Se fosse governante o que é que mudava?
Melhorava a educação, mas fazia-o com seriedade. Temos os miúdos na
escola, e bem, mas não acautelámos a qualidade do ensino. Vejam-se os
resultados dos estudos PISA, onde os nossos alunos, comparados com
outros da mesma idade e de outros países da OCDE, revelam
competências muito baixas nos conhecimentos da língua materna, da
matemática e das ciências, três instrumentos básicos. Isto é um
problema gravíssimo.
_Defraudámos as expectativas das famílias?
Completamente. Há muitas famílias cujos pais fizeram sacrifícios
enormes para custear os estudos dos filhos, inscritos em universidades
privadas e em cursos que não têm saída. As pessoas não entendem.
Disseram-lhes que o diploma era importante. Por outro lado, não faz
sentido que tenhamos 28 cursos de arquitectura em Portugal. E outros
tantos de tecnologias da saúde. Aqui no Porto, em instituições privadas,
os enfermeiros estão a ganhar cerca de quatro euros por hora.
_Já os seus alunos têm boas perspectivas, pois faltam médicos.
Os alunos de medicina também estão assustados com o futuro. Já não
sabem se vão poder fazer a especialidade que gostariam, ou se serão
forçados a adaptar-se às vagas que existirem e às condições de
trabalho e de remuneração que lhes forem impostas.
_O SNS está ameaçado?
Em termos de sustentabilidade, está. Mas o último relatório do Tribunal
de Contas vem dizer que as soluções de gestão que foram introduzidas
nos hospitais-empresa, muitas vezes à revelia dos profissionais, não
funcionaram. A saúde é um bem imaterial, não é um bem que se venda
a retalho. Como a educação. Os serviços assistenciais também vivem da
manutenção do respeito pelos pares, e as hierarquias não são apenas
funcionais, são também de competência.
_Ainda defende a regionalização?
Sim.
_E não teme que sirva sobretudo para criar mais uma casta de
burocratas?

Defendo-a mas confesso que tenho muito medo, precisamente por causa
disso.
_E defende a criação de mais estruturas, para além das que existem?
Não, isso não. Para já defendo que se avance com as regiões que temos
e à experiência, com líderes e profissionais que já deram provas e sem
cargos de confiança política. As regiões precisam de autonomia e não
podem ser extensões de outros poderes. Sou a favor da regionalização
dos serviços de saúde e de ensino, incluindo as universidades.
_Com a crise corremos o risco de nos tornar um país mais desigual?
Em relação à Europa já somos dos piores e agora a desigualdade vai
agravar-se. Quer o número de pobres, quer a diferença entre eles e os
muito ricos, não cessam de aumentar. Vamos ter de criar alguns
mecanismos de suporte para ajudar as pessoas que estão aflitas e eu
tendo a valorizar os mecanismos da sociedade civil, por exemplo o papel
das misericórdias. A filantropia social está desaproveitada - há muito
boa gente com competências, vontade e redes sociais a funcionarem
bem. Não podemos deixar pessoas morrer à fome e ao frio e não
podemos deixar de dar leite às crianças.
_Taxar mais a riqueza pode fazer parte da solução?
Taxar mais a riqueza não resolve nada, primeiro porque calculo que os
poucos milhares de muito ricos que temos em Portugal não têm cá a
massa e, se tiverem, não serão facilmente taxáveis. Mais impostos
também não. Para aumentar a produtividade temos de ser mais
competitivos e receio que, a curto prazo, com ou sem FMI, tenhamos
de baixar ainda mais os salários. Uma coisa é certa: temos de pagar as
nossas dívidas porque se não o fizermos ninguém nos empresta dinheiro.
_Contacta com muitos cientistas e investigadores estrangeiros. Como é
que eles nos vêem?

Na ciência não há grandes diferenças entre nós e eles. Em algumas
especialidades médicas também não. Por exemplo, os patologistas que
conheço têm vidas muito parecidas com a minha, não há grandes
diferenças sociais. Já um reumatologista ou um cirurgião português que
tenha actividade privada ganha bastante mais do que um colega do
centro da Europa.
_E na sociedade?
Na sociedade há bastantes diferenças. Nós não fomos eficientes em
criar riqueza, nem conseguimos deixar de gastar mais do que
produzimos. Há mais de trinta anos que vou com frequência à Noruega e
lembro-me de eles serem relativamente pobres quando nós éramos
razoavelmente ricos. Um médico norueguês vivia pior do que um médico
português, um advogado também. Nunca conheci um casal norueguês da
classe média que tivesse dois carros e muito menos uma empregada de
limpeza. Eles agora vivem com algum conforto mas nunca gastaram mais
do que aquilo que produzem. As receitas das reservas de petróleo e de
gás estão aplicadas num Fundo, não estão a ser gastas e muito menos
ao desbarato.
_Enquanto nós desperdiçamos o que pedimos emprestado...
Nós somos mal governados em parte por culpa própria, em parte pela
escassez de líderes exemplares. Gosto muito dos países nórdicos,
aprendi imenso lá, toda a minha família aprendeu. Na Noruega, na
Suécia, na Finlândia, não corremos o risco de ser atropelados quando
atravessamos a rua. Eles quando bebem não conduzem, vão para casa
de táxi. E um ou outro que o faça é alvo de medidas sérias de
repreensão económica e social e vai para a prisão. Nos países nórdicos,
o exemplo conta e quem não é exemplar é punido socialmente.
_Os portugueses são condescendentes?
Pior, nós admiramos o sucesso do aldrabão. Em Portugal não há censura
social para a esperteza saloia nem para a corrupção a que passámos a
chamar informalidade. Pelo contrário, admiramos os esquemas, os
expedientes. Vivemos deles.
_Mas depois queixamo-nos.
A nossa tragédia é que somos um povo pré-moderno. Não perguntamos,
não responsabilizamos, não exigimos nem prestamos contas. Não temos
a literacia nem a numeracia necessárias. Outro problema é a falta de
transparência, a opacidade. Olhe o que se passou com o BPP e com o
BPN, histórias tão mal contadas.
_A evasão e a fraude fiscal são duas das grandes marcas nacionais. A
corrupção é outro crime sem castigo.

Não metemos ninguém na cadeia, deixamos os problemas eternizarem-se
sem punições, mas também não recompensamos ninguém. O Estado é
burocrático, não nos deixa avançar, mas dá-nos segurança. A nossa
tradição é empurrar os problemas com a barriga esperando que se
resolvam por si. Quando as coisas dão para o torto somos injustos ou
por excesso ou por defeito. Quem tem muito poder económico pode
recorrer a expedientes e a mecanismos dilatórios que são usados de
maneira desproporcionada. Quem não tem esse poder é totalmente
vulnerável. Somos demasiado tolerantes, somos condescendentes, no
mau sentido, aderimos mais ao tipo que viola a lei do que ao polícia.
Temos afecto pelo fulano que faz umas pequenas aldrabices, admiramos
secretamente os grandes aldrabões, não punimos os prevaricadores. Na
verdade somos contra a autoridade.
_Tem 63 anos e é funcionário público. Já meteu os papéis para a
reforma?

Não, não sei fazer mais nada além de trabalhar. E fui sempre
funcionário público, não me imagino a trabalhar numa actividade
privada. O meu pavor é pensar que um dia talvez não possa trabalhar.
Às vezes sinto-me um pouco desconfortável por ter de responder a
tantas solicitações burocráticas no dia-a-dia, mas pior será quando
deixar de trabalhar.
_Continua a ser leitor compulsivo de jornais?
Fico nervoso se não tiver jornais. Leio muitos, sobretudo semanários e
estrangeiros. Infelizmente gasto cada vez mais horas diárias a ler
revistas científicas. Não tenho tempo para ler literatura de novo isto
é, quase só releio. A falta de tempo é o meu maior problema.
_O que é que o faz perder a paciência?
A irresponsabilidade e a incompetência, não sei o que é pior. Sou um
exaltado mas já não tenho idade para fazer fitas. Disfarço melhor,
mas se sou apanhado de surpresa é tramado.
_E o que é que o faz dar uma boa gargalhada?
Sorrio mais do que rio e acho uma graça especial aos meus netos.



BI
Médico, investigador, professor, contador de histórias. O Norte e o
Porto são o seu território, o Hospital de São João e a Faculdade de
Medicina da Universidade do Porto a sua casa, o Ipatimup (Instituto de
Patologia e Imunologia Molecular) a sua ilha. Uma ilha que está ligada
aos cinco continentes através da ciência e do ensino. Manuel Sobrinho
Simões, 63 anos, prémio Pessoa em 2002, recebeu muitas outras
distinções nacionais e internacionais e é um dos mais consagrados
peritos do mundo em oncologia, sobretudo em cancro da tiróide.
Sobrinho Simões é um português ao serviço da humanidade.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Perguntas à Língua Portuguesa de Mia Couto

Venho brincar aqui no Português, a língua. Não aquela que outros embandeiram. Mas a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar e que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique. Que outros pretendam cavalgar o assunto para fins de cadeira e poleiro pouco me acarreta.Estamos, sim, amando o indomesticável, aderindo ao invisível, procurando os outros tempos deste tempo. Precisamos, sim, de senso incomum. Pois, das leis da língua, alguém sabe as certezas delas? Ponho as minhas irreticências. Veja-se, num sumário exemplo, perguntas que se podem colocar à língua:

* Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?

* No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?

* A diferença entre um às no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?

* O mato desconhecido é que é o anonimato?

* O pequeno viaduto é um abreviaduto?

* Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente?

* Quem vive numa encruzilhada é um encruzilheu?

* Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?

* Tristeza do boi vem dele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?

* O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?

* Onde se esgotou a água se deve dizer: “aquabou”?

* Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?

* Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?

* Mulher desdentada pode usar fio dental?

* A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?

* As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: “finanças”?

* Um tufão pequeno: um tufinho?

* O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?

* Em águas doces alguém se pode salpicar?

* Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?

* Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?

* Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?

* Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?

Brincadeiras, brincriações. E é coisa que não se termina. Lembro a camponesa da Zambézia. Eu falo português corta-mato, dizia. Sim, isso que ela fazia é, afinal, trabalho de todos nós. Colocamos essoutro português – o nosso português – na travessia dos matos, fizemos que ele se descalçasse pelos atalhos da savana.

Nesse caminho lhe fomos somando colorações. Devolvemos cores que dela haviam sido desbotadas – o racionalismo trabalha que nem lixívia. Urge ainda adicionar-lhe músicas e enfeites, somar-lhe o volume da superstição e a graça da dança. É urgente recuperar brilhos antigos. Devolver a estrela ao planeta dormente.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxMia Couto – 11/04/1997

Estamos Velhotes e eu achei imensa piada a isto

Nasceste antes de 1986?


Então lê isto...
Se não... lê na mesma....

Esta merece!!!!!

Deliciem-se...

Nascidos antes de 1986.
De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas,em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.

Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas 'à prova de crianças', ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas.

Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.

Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags, viajar á frente era um bónus.

Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem.

Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.

Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.

Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões.

Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.•

Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.•

Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.

Não tínhamos Play Station, X Box.

Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, Chat na Internet.

Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos á rua.

Jogávamos ao elástico e à barra e a bola até doía!

Caíamos das árvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal.

Havia lutas com punhos mas sem sermos processados.

Batíamos ás portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.

Íamos a pé para casa dos amigos.

Acreditem ou não íamos a pé para a escola;

Não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem.

Criávamos jogos com paus e bolas.

Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem.

Eles estavam do lado da lei.

Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.

Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.

Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.

És um deles?

Parabéns!

Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças, antes dos advogados e governos regularem as nossas vidas, 'para nosso bem'.
Para todos os outros que não têm a idade suficiente, pensei que gostassem de ler acerca de nós.

Isto, meus amigos é surpreendentemente medonho... E talvez ponha um sorriso nos vossos lábios.

A maioria dos estudantes que estão hoje nas universidades nasceu em 1986, ou depois. Chamam-se jovens.

Nunca ouviram 'we are the world' e uptown girl conhecem de westlife e não de Billy Joel.

Nunca ouviram falar de Rick Astley, Banarama ou Belinda Carlisle.

Para eles sempre houve uma só Alemanha e um só Vietname.

A SIDA sempre existiu.

Os CD's sempre existiram.

O Michael Jackson sempre foi branco.

Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo tivesse sido um deus da dança.

Acreditam que Missão impossível e Anjos de Charlie, são filmes do ano passado.

Não conseguem imaginar a vida sem computadores.

Não acreditam que houve televisão a preto e branco.

Agora vamos ver se estamos a ficar velhos:
1. Entendes o que está escrito acima e sorris.
2. Precisas de dormir mais depois de uma noitada.
3. Os teus amigos estão casados ou a casar.
4. Surpreende-te ver crianças tão á vontade com computadores.
5. Abanas a cabeça ao ver adolescentes com telemóveis.
6. Lembras-te da Gabriela (a primeira vez).
7. Encontras amigos e falas dos bons velhos tempos.
8. Vais encaminhar este e-mail para outros amigos porque achas que vão gostar.

SIM ESTÁS A FICAR VELHO heheheh , mas tivemos uma infância do caraças

Darmos um rim

Noticia do Jornal Publico de 10/05/2011


Veio a psicóloga e perguntou a António Gonçalves se estava consciente dos riscos que ia correr. Se sabia que podia ficar na mesa de operações. Depois veio o médico, que juntou um cenário mais concreto: e se um dia for atropelado e perder o único rim com que vai ficar? E depois ainda vieram mais três médicas que o tentaram apanhar "em contradição", para se certificarem que queria doar o rim "de livre vontade". Anda há cerca de um ano a dizer que sim, que quer abdicar do seu rim para a mulher, que "ela não aguenta mais os tratamentos de hemodiálise".


Até 2007, este tipo de dádivas eram proibidas em Portugal - apenas eram permitidas quando existia relação de parentesco até ao terceiro grau. A ideia era evitar o tráfico de órgãos, mas constatava-se que a interdição era, em muitos casos, um entrave ao transplante. Desde que a lei mudou, o número de transplantes de dadores vivos - a maioria são de rins mas também é possível doar partes do fígado - tem aumentado. A excepção foi o ano passado, em que houve um ligeiro decréscimo, mas enquanto em 2008 os dadores não consanguíneos representavam 29 por cento do total, no ano passado atingiram uma proporção recorde: dos 51 transplantes, 21 são deste tipo (41 por cento).

Frederico Garcia Lorca


“Federico Garcia Lorca, nasceu em Fuentevaqueros (Granada) em 5 de junho de 1898 e morreu assassinado em Viznar (Granada), uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola, em 19 de agosto de 1936. Foi dotado de uma personalidade extraordinariamente voltada para a arte. Além de ser um grande poeta, teve também alguns pendores musicais, tendo feito, ainda, alguns desenhos. É Garcia Lorca, com certeza, o poeta espanhol mais conhecido universalmente, só perdendo para Cervantes no número de edições e traduções de suas obras.”

segunda-feira, 9 de maio de 2011

por do sol no Alentejo

Aqui, nesta imensidão, onde os olhos se perdem num longe muito muito longe, nesta hora derradeira em que a luz se fragmenta e despede em cambiantes de fogo, aqui dizia parecemos uns pequeninos insectos indefesos e perdidos no meio desta grandiosidade. Assim é o Alentejo ao pôr-do-sol.

Encontros e reencontros





Realizou-se no sábado passado dia 7 de Maio o encontro numero não sei quantos dos AALB ou seja Antigos Alunos do Liceu Bragança. E eu , como não poderia deixar de ser , la estive. Claro que digo não poderia deixar de ser desde que soubesse e nao houvesse nenhum constrangimento que me impedisse de tal.
E claro , estive , movida pelo desejo enorme de rever as pessoas que como eu palmilharam aqueles longuíssimos e largos corredores, "sofreram" naquelas inúmeras salas de aula , albergaram inquietações e sonhos sob aquelas vetustas paredes. Também , não o nego, pois seria desonesto da minha parte, na perspectiva de reencontrar o rapazinho com quem troquei o meu primeiro beijo.
Portanto, como os alunos presentes eram todos, ou melhor , uma larga maioria, mais velhos e sobretudo homens e nessa altura, as meninas acompanhavam com meninas,vi os meus anseios gorados já que, nem me apareceu a Julia, a Fatinha, a Eva, ou a Fernanda Lelo, nem do meu 1º e ingénuo amor vi sequer a sombra.
Por outro lado , conheci pessoas fantásticas, a lembrar-me no caso de eu ter dúvidas , que a vida vale sempre e se fecha uma porta escancara não sei quantas largas janelas.
Foi lindo!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Para as mais novas se prepararem e as que já passaram por isto respirar de alivio!!

Durante o período anterior à menopausa (tecnicamente denominado climatério, mas mais recentemente chamado perimenopausa) pode não haver sintomas ou estes serem suaves, moderados ou agudos. Os afrontamentos afectam 75 % das mulheres. Durante um acesso de calor, a pele, em especial a da cabeça e do pescoço, fica vermelha e quente e a sudação pode ser intensa. A maioria das mulheres têm afrontamentos durante mais de um ano e entre 25 % e 50 % sofrem-nos durante mais de cinco anos. Duram entre 30 segundos e 5 minutos e podem ser seguidos de calafrios. Os sintomas psicológicos e emocionais como fadiga, irritabilidade, insónia e nervosismo podem ser provocados pela diminuição de estrogénios. A sudação nocturna é um factor de perturbação do sono e agrava o cansaço e a irritabilidade. Por vezes, a mulher pode sentir-se enjoada, ter sensação de formigueiro (picadas) e sentir os batimentos do seu coração, que parece palpitar com força. Também pode sofrer de incontinência urinária, inflamação da bexiga e da vagina e ter dores durante o coito devido à secura vaginal. Às vezes, surge uma sensação dolorosa nos músculos e nas articulações.

Autocarros, optimus e sorriso

No autocarro um homem de aparência humilde entra e pergunta ao motorista onde é a loja da Optimus.O motorista dá uma resposta vaga, para despachar,que decididamente,não o satisfaz. A seguir eu asseguro que lhe indico onde é, pois vou para perto. Agradece. Muito. Insiste no agradecimento. Eu , com um sorriso breve, digo de nada! Mergulho outra vez na minha leitura para aproveitar os 15 minutos da viagem matinal. Dai a pouquinho o homem pergunta o que estou a ler e acto contínuo sem me dar tempo da resposta, espreita e diz : Natália Correia, boa escritora. Apercebo-me pelo teor dos comentários seguintes que não sabe que já morreu. Mas não digo nada , na tentativa feroz de me concentrar no que leio.Já um bocadinho cansada com a vizinhança barulhenta, confesso.
Dai a um nadinha, estende-me umas fotocópias e diz: “Leia este livro. Vai-me agradecer. Não se esqueça. É um livro fantástico”. Meto, contrariada as fotocopias na carteira , na dedução de que era o Novo ou Velho Testamento que o homem me oferecia para me catequizar para qualquer seita.
As cópias perderam-se no meio da infindável tralha da minha caótica carteira. Hoje, na minha viagem, de autocarro, encontrei uns papeis sujos e amarrotados e abrindo-os constatei serem as fotocopias do meu amigo , simpatizante e utente da Optimus.
Com uma letrinha miúda, inclinada e regular constava o titulo para não se esquecer ou informar os que beneficiassem da sua dádiva: “Fotocopiado do Livro Como Fazer amigos e Influenciar Pessoas", mais em baixo, autor Dale Carnegie e no fundo : Editado em Portugal pela: Livraria Civilização.
De lado , este bom homem, achou por bem, escrever na mesma letra certinha: O livro pode ser lido gratuitamente, na biblioteca Publica Municipal do Porto (no Jardim de são Lazaro).
Quem me conhece sabe que estas coisas me enternecem. A parte do livro fotocopiada falava dos benefícios do sorriso que eu considerei quase como castigo divino uma vez que com a minha pressa de ler me esqueci de sorrir ao bom homem.
Em homenagem ao meu arauto do sorriso vou depois transcrever parte do texto.
Ate porque o Dale Carnegie, psicólogo norte-americano, é responsável por alguma da sabedoria(se tenho alguma!) que apreendi e conservei para o resto da vida , ao ler aos meus 15 anos o seu livro: “Como esquecer preocupações e começar a viver”. Para mim ,os livros de auto-ajuda, não existem. Existe este e mais nada!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Florbela Espanca aos 15 anos

a felicidade

A felicidade
Passa
Pela nossa capacidade
De sonhar.
E sonhar,
É criar um átomo
Ou criar um mundo.
É ver no infinito
Frotas de naus de velas
Brancas,
Que só nós podemos desfraldar
É inventar auroras
De sóis imensos
No mar profundo..

terça-feira, 3 de maio de 2011

Desculpas

Peço, sinceramente, as minhas desculpas a quem ultimamente fez visitas a este blogue e assistiu provavelmente , em directo, as alterações que eu fui fazendo. Vamos ver se agora me fico por aqui, e ponho de lado este alterar continuo que revela o meu comportamento esquizóide..Aviso , no entanto, que ainda pode ser alterada a cor a pensar nos olhinhos de quem lê. Mas mais nada!!Um abraço
E.G.

Como se te escrevesse uma carta

Decidi, escrever-te uma carta. Melhor, fazer de conta que te escrevo uma carta. Para te falar dos meus desatinos, dos meus olhares vazios, das vezes em que a tua imagem me avassala ,vem abruptamente , e eu pura e simplesmente deixo de seguir o que estava a fazer e fico para ali, parada, silente, a lembrar-me de ti.
Não sei se já reparaste, se calhar não, mas florescem amores-perfeitos, nos canteiros dos jardins públicos da cidade. Não que isso tenha importância, claro que não.
Desde criança que eu adoro amores-perfeitos. Invade-me por vezes uma nostalgia imensa desses tempos, perdidos na bruma. Uma infância tão diferente das infâncias das nossas crianças de hoje!
Eu era uma menina pobre. Morava numa casa grande; quando somos pequenos tudo é , na nossa cabeças, na nossa memória, desmesuradamente grande. Depois quando crescemos, choca-nos a pequenez das coisas, quando as revemos.
Mas, a casa era grande, aquela casa era mesmo grande e as tábuas do soalho eram tão grandes que o meu corpito estreito e pequeno cabia inteiro em cada uma delas…Eram tábuas grossas e envelhecidas. Havia uma varanda que dava para uma eira enorme. E do lado direito da eira a casa da Angélica.
A casa era arrendada. E a senhoria, que vivia na casa imediatamente ao lado, era uma senhora muito mais velha que o marido, de cabelo preso num pequenino novelo de cor da prata , sem filhos e dedicava-me a mim, nos meus 7 ou 8 anos, um carinho especial. Eu via-a, um pouco, como a avó ausente, que tinha ficado lá longe, na terra, por força da necessidade de meus pais ganharem o pão para criar os 4 filhos.
Por detrás das casas, havia um terreno, grande, cultivado em cada centímetro quadrado, a que eu acedi, sempre, acompanhada da velha senhora. E ao fundo do lado direito- ainda estou a vê-lo- havia um grande canteiro de amores-perfeitos. Eu olhava-os de olhos arregalados e atentos, presa de tanto colorido. Eram lindos nas suas formas e cores aveludadas. Que delicia! Para mim é como se fossem eternos. Possivelmente foi apenas durante uma estação que visitei o canteiro mas por mais que uma vez, ou então, a visita repetiu-se no ano seguinte e na minha memória o lapso de tempo não existe.
Lembro-me apenas com saudade , sempre, dos amores-perfeitos dessa minha infância, esses , os da minha vizinha e senhoria. Sinto-lhes ainda o toque e o perfume, quando olho nostálgica para os amores-perfeitos de que te falei.
Por que te falo de amores-perfeitos? Por nada , claro, a menos que seja uma simples associação livre.
A pena que tenho, de não te chegar a conhecer inteiramente. Se calhar tu também tens destas memórias, de nadas, de pequenas coisas, que preenchem o nosso universo particular e fazem de nós, afinal, as pessoas que somos.
Sim, porque mesmo que fosse possível, num esforço de abstracção pura, idealizar outro alguém exactamente igual a nós, seriam sempre as nossas memórias, as nossas vivências, a fazer de cada um de nós uma pessoa diferente.
E também, afinal, a pena que tenho que não me tenhas conhecido. Que saibas como penso , como sinto, o que me deixa triste ou alegre.
Sim , pouco nos conhecemos. Talvez por isso, este amor, foi assim, estranhamente intenso e inquietantemente profundo .
Não, não por favor!!Eu sei que tu tens imensa coisa para me dizer; hás-de querer de certeza lembrar-me que, também tu, me amaste embora não desta forma, quase doentia ,como te amei; hás-de querer, quiçá, falar-me das vezes que te lembras do meu perfume, da minha voz, das minhas palavras, dos meus beijos.
Deixa. A sério, não digas nada.
Guarda para ti as vezes que os meus olhos te falavam de coisas inconfessáveis, que eu farei o mesmo.

Afinal, sabes, sim tu sabes, quantas pessoas poderão dizer o mesmo que nós?
Quem poderá falar de uma paixão deste tamanho??
Guarda, guarda na sombra acetinada e protegida de uma gaveta especial, no teu coração, a memória deste meu amor.
E, aproveita, corta uns amores-perfeitos e mete-os lá nessa gaveta. Mexe-lhe, apenas quando sentires que a morte se aproxima.
Hás-de ver que, entre umas pétalas secas, o meu amor , continua vivo.

Eu e a minha vaidadezinha mesquinha

Sou , assumidamente , uma mulher vaidosa. Cultivo,há para aí já 50 anos o gosto pela aparência, pelo trapinho novo, pela sapatinho a preceito.Tenho perdoem-me a imodéstia, um corpo que ajuda.Agora já nem tanto, pois é bem conhecido o rastro de destruição que a Gravidade provoca nos corpos que envelhecem. Mas mesmo assim,a minha auto-estima ,continua em alta.
Há, porem, partes do meu corpo que eu considero(sempre considerei, aliás) que a Natureza se distraiu um bocadinho, que são as minhas mãos e os meus pés.Com estes, que eu acho parecidissimos com os pés dos anjinhos barrocos, bem eu posso, pois enfio-os dentro dos sapatos e botas e...voilá. Mas as mãos....desde rapariguita que acho e digo que tenho mãos de lavradeira. Grandes,rudes, de dedos grossos ,ásperas, apesar dos cremes, de unhas roídas, para piorar a situaçao, um pavor!!
Pronto,sempre considerei,como disse atrás que o Universo não tinha sido muito atencioso comigo. Até hoje de manhã, quando me cruzei , ao vir para o emprego com uma mulher, ainda muito nova, que tinha apenas 2 tocos decepados.
E, claro que senti vergonha.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A feira da Ladra e a Feira da Vandoma

As feiras de antiguidades, velharias, coleccionismo destinam-se , a promover a exposição e venda de antiguidades, velharias e artigos de colecção e similares, designadamente,Numismática,Filatelia, Artesanato, Livros e revistas, Vestuário,calçado...um nunca acabar de tralha usada que faz as delicias de qualquer amante de coisas antigas,já "demodées" mas que primam, muitas delas, por uma qualidade que, as suas congéneres actuais já não têm. Eu adoro perder-me por entre os diversos artigos expostos e mesmo que não tenha dinheiro ou não esteja interessada no artigo ,não posso deixar de me demorar uns minutos a olhar...a olhar... e a pensar na historia do objecto.
Visitar a feira da Ladra, na capital , ou então ficarmo-nos pela Vandoma no Porto é ter aos pés e à mão os mais diversos artigos ao preço da chuva: mobiliário, tapetes, óculos de sol e óculos graduados,carteiras, brinquedos,roupa de cama e de mesa que pertenceram as nossas mãe e avós..quer sejam em renda ou em linho bordado.
Eu, por exemplo, que sou uma perdedora de óculos de sol militante e já cansada de dar balúrdios por uns óculos novos, decidi que agora só compro óculos usados e o máximo que dou por eles são 5 € e isto ja é um preço alto, uma vez que, como todos os antecessores, é para esquecer na 1ª prateleira de hipermercado onde me detenha por mais de 2 minutos, a ver qualquer coisa. Mas tenho agora vários a 2/3€. E se os perder, nem sequer me vou preocupar.De onde vieram aqueles há la muitos mais.
Agora imaginem se tivessem custado para cima de 120€??

Ode à Paz,neste dia em que Bin Laden jaz nas profundezas do mar

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"

O primeiro 1º de Maio foi em 1886

No século XIX, a pujança da “Revolução Industrial” conduziu à sujeição dos trabalhadores a condições desumanas de laboração. A necessidade de se produzir o máximo ao mais baixo custo não respeitava idades nem sexos. As organizações sindicais eram incipientes e perseguidas pelas autoridades policiais.

Em 1864 é criada a Primeira Associação Internacional dos Trabalhadores, em Londres.A esta associação se chamou mais tarde a Primeira Internacional Socialista que duraria sete anos.
As divisões ideológicas entre as várias facções (sindicalistas, anarquistas, socialistas, republicanos e democratas radicais, entre outras) puseram fim à agremiação, mas deixaram mais explícitas as reivindicações e propostas pelas quais os trabalhadores se deveriam debater.A redução da jornada de trabalho para as 10 horas diárias era uma delas.

Os objectivos saídos desta Internacional tiveram eco no IV Congresso da American Federation of Labor, em Novembro de 1884. As negociações, sucessivamente falhadas com as entidades patronais, fizeram das cidades operárias um barril de pólvora pronto a explodir. Até que, em 1886, no dia 1 de Maio, teve início uma greve geral com a adesão de mais de 1 milhão de trabalhadores em todo o território norte-americano. A reacção a esta paralisação foi violenta.

Em Portugal

A decisão da Comuna de Paris, de decretar o 1º de Maio como o Dia Internacional do Trabalhador teve repercussões no nosso país. Diz-nos José Mattoso (in História de Portugal, vol. 5), que houve um reforço da luta do movimento operário português em finais do séc. XIX sendo "em torno da associação e da greve que gravita o próprio movimento operário". Entre 1852 e 1910 realizaram-se 559 greves no nosso país. A subida dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições de laboração eram as principais exigências dos operários.



Durante a I República não se deixou de festejar o Dia do Trabalhador, mas sublinhe-se que um dos primeiros diplomas aprovados, com a instituição do novo regime, dizia respeito ao estabelecimento dos feriados nacionais e destes não constava o dia do trabalhador. Em 1933 é decretada a "unicidade sindical" e o "controle governamental dos sindicatos" esmorecendo um movimento operário que só ganharia novo ânimo na década de 40. Durante o Estado Novo as manifestações no Dia do Trabalho (e não do Trabalhador) eram organizadas e controladas pelo Estado.

O primeiro 1º de Maio celebrado em Portugal depois do 25 de Abril foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas.


O que é hoje o 1º de Maio??Dantes eu ia as manifestações do Dia para festejar. Festejar a minha liberdade e a liberdade do meu pais, festejar as vitorias ganhas a nível de regalias laborais,num mar de gente que como eu, ria, cantava, celebrava. Depois, foi-me assaltando um desanimo enorme um descontentamento sem remédio com a politica do meu pais e sobretudo com os políticos pois são os homens que fazem a politica. E vi muita gente , como eu, a abandonar a descida à Baixa do Porto para celebrar o 1º de Maio.
Hoje , sei que alguns patrões obrigaram os seus trabalhadores a cumprir o mesmo horário de trabalho. E , embora o país esteja numa dificílima situaçao económica,muito perto do abismo, e a necessitar do empenho, da produção, do trabalho de todos, eu fico sempre a pensar que isto é um lamentável retrocesso nas conquistas dos pobres trabalhadores portugueses que já têm a pouca sorte de ser dos mais mal remunerados da Europa comunitária. A par de outras coisas..