A minha mesa de café, o meu banco de jardim, o meu muro de lamentações, a minha varanda para o mundo

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Florbela Espanca aos 15 anos

a felicidade

A felicidade
Passa
Pela nossa capacidade
De sonhar.
E sonhar,
É criar um átomo
Ou criar um mundo.
É ver no infinito
Frotas de naus de velas
Brancas,
Que só nós podemos desfraldar
É inventar auroras
De sóis imensos
No mar profundo..

terça-feira, 3 de maio de 2011

Desculpas

Peço, sinceramente, as minhas desculpas a quem ultimamente fez visitas a este blogue e assistiu provavelmente , em directo, as alterações que eu fui fazendo. Vamos ver se agora me fico por aqui, e ponho de lado este alterar continuo que revela o meu comportamento esquizóide..Aviso , no entanto, que ainda pode ser alterada a cor a pensar nos olhinhos de quem lê. Mas mais nada!!Um abraço
E.G.

Como se te escrevesse uma carta

Decidi, escrever-te uma carta. Melhor, fazer de conta que te escrevo uma carta. Para te falar dos meus desatinos, dos meus olhares vazios, das vezes em que a tua imagem me avassala ,vem abruptamente , e eu pura e simplesmente deixo de seguir o que estava a fazer e fico para ali, parada, silente, a lembrar-me de ti.
Não sei se já reparaste, se calhar não, mas florescem amores-perfeitos, nos canteiros dos jardins públicos da cidade. Não que isso tenha importância, claro que não.
Desde criança que eu adoro amores-perfeitos. Invade-me por vezes uma nostalgia imensa desses tempos, perdidos na bruma. Uma infância tão diferente das infâncias das nossas crianças de hoje!
Eu era uma menina pobre. Morava numa casa grande; quando somos pequenos tudo é , na nossa cabeças, na nossa memória, desmesuradamente grande. Depois quando crescemos, choca-nos a pequenez das coisas, quando as revemos.
Mas, a casa era grande, aquela casa era mesmo grande e as tábuas do soalho eram tão grandes que o meu corpito estreito e pequeno cabia inteiro em cada uma delas…Eram tábuas grossas e envelhecidas. Havia uma varanda que dava para uma eira enorme. E do lado direito da eira a casa da Angélica.
A casa era arrendada. E a senhoria, que vivia na casa imediatamente ao lado, era uma senhora muito mais velha que o marido, de cabelo preso num pequenino novelo de cor da prata , sem filhos e dedicava-me a mim, nos meus 7 ou 8 anos, um carinho especial. Eu via-a, um pouco, como a avó ausente, que tinha ficado lá longe, na terra, por força da necessidade de meus pais ganharem o pão para criar os 4 filhos.
Por detrás das casas, havia um terreno, grande, cultivado em cada centímetro quadrado, a que eu acedi, sempre, acompanhada da velha senhora. E ao fundo do lado direito- ainda estou a vê-lo- havia um grande canteiro de amores-perfeitos. Eu olhava-os de olhos arregalados e atentos, presa de tanto colorido. Eram lindos nas suas formas e cores aveludadas. Que delicia! Para mim é como se fossem eternos. Possivelmente foi apenas durante uma estação que visitei o canteiro mas por mais que uma vez, ou então, a visita repetiu-se no ano seguinte e na minha memória o lapso de tempo não existe.
Lembro-me apenas com saudade , sempre, dos amores-perfeitos dessa minha infância, esses , os da minha vizinha e senhoria. Sinto-lhes ainda o toque e o perfume, quando olho nostálgica para os amores-perfeitos de que te falei.
Por que te falo de amores-perfeitos? Por nada , claro, a menos que seja uma simples associação livre.
A pena que tenho, de não te chegar a conhecer inteiramente. Se calhar tu também tens destas memórias, de nadas, de pequenas coisas, que preenchem o nosso universo particular e fazem de nós, afinal, as pessoas que somos.
Sim, porque mesmo que fosse possível, num esforço de abstracção pura, idealizar outro alguém exactamente igual a nós, seriam sempre as nossas memórias, as nossas vivências, a fazer de cada um de nós uma pessoa diferente.
E também, afinal, a pena que tenho que não me tenhas conhecido. Que saibas como penso , como sinto, o que me deixa triste ou alegre.
Sim , pouco nos conhecemos. Talvez por isso, este amor, foi assim, estranhamente intenso e inquietantemente profundo .
Não, não por favor!!Eu sei que tu tens imensa coisa para me dizer; hás-de querer de certeza lembrar-me que, também tu, me amaste embora não desta forma, quase doentia ,como te amei; hás-de querer, quiçá, falar-me das vezes que te lembras do meu perfume, da minha voz, das minhas palavras, dos meus beijos.
Deixa. A sério, não digas nada.
Guarda para ti as vezes que os meus olhos te falavam de coisas inconfessáveis, que eu farei o mesmo.

Afinal, sabes, sim tu sabes, quantas pessoas poderão dizer o mesmo que nós?
Quem poderá falar de uma paixão deste tamanho??
Guarda, guarda na sombra acetinada e protegida de uma gaveta especial, no teu coração, a memória deste meu amor.
E, aproveita, corta uns amores-perfeitos e mete-os lá nessa gaveta. Mexe-lhe, apenas quando sentires que a morte se aproxima.
Hás-de ver que, entre umas pétalas secas, o meu amor , continua vivo.

Eu e a minha vaidadezinha mesquinha

Sou , assumidamente , uma mulher vaidosa. Cultivo,há para aí já 50 anos o gosto pela aparência, pelo trapinho novo, pela sapatinho a preceito.Tenho perdoem-me a imodéstia, um corpo que ajuda.Agora já nem tanto, pois é bem conhecido o rastro de destruição que a Gravidade provoca nos corpos que envelhecem. Mas mesmo assim,a minha auto-estima ,continua em alta.
Há, porem, partes do meu corpo que eu considero(sempre considerei, aliás) que a Natureza se distraiu um bocadinho, que são as minhas mãos e os meus pés.Com estes, que eu acho parecidissimos com os pés dos anjinhos barrocos, bem eu posso, pois enfio-os dentro dos sapatos e botas e...voilá. Mas as mãos....desde rapariguita que acho e digo que tenho mãos de lavradeira. Grandes,rudes, de dedos grossos ,ásperas, apesar dos cremes, de unhas roídas, para piorar a situaçao, um pavor!!
Pronto,sempre considerei,como disse atrás que o Universo não tinha sido muito atencioso comigo. Até hoje de manhã, quando me cruzei , ao vir para o emprego com uma mulher, ainda muito nova, que tinha apenas 2 tocos decepados.
E, claro que senti vergonha.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A feira da Ladra e a Feira da Vandoma

As feiras de antiguidades, velharias, coleccionismo destinam-se , a promover a exposição e venda de antiguidades, velharias e artigos de colecção e similares, designadamente,Numismática,Filatelia, Artesanato, Livros e revistas, Vestuário,calçado...um nunca acabar de tralha usada que faz as delicias de qualquer amante de coisas antigas,já "demodées" mas que primam, muitas delas, por uma qualidade que, as suas congéneres actuais já não têm. Eu adoro perder-me por entre os diversos artigos expostos e mesmo que não tenha dinheiro ou não esteja interessada no artigo ,não posso deixar de me demorar uns minutos a olhar...a olhar... e a pensar na historia do objecto.
Visitar a feira da Ladra, na capital , ou então ficarmo-nos pela Vandoma no Porto é ter aos pés e à mão os mais diversos artigos ao preço da chuva: mobiliário, tapetes, óculos de sol e óculos graduados,carteiras, brinquedos,roupa de cama e de mesa que pertenceram as nossas mãe e avós..quer sejam em renda ou em linho bordado.
Eu, por exemplo, que sou uma perdedora de óculos de sol militante e já cansada de dar balúrdios por uns óculos novos, decidi que agora só compro óculos usados e o máximo que dou por eles são 5 € e isto ja é um preço alto, uma vez que, como todos os antecessores, é para esquecer na 1ª prateleira de hipermercado onde me detenha por mais de 2 minutos, a ver qualquer coisa. Mas tenho agora vários a 2/3€. E se os perder, nem sequer me vou preocupar.De onde vieram aqueles há la muitos mais.
Agora imaginem se tivessem custado para cima de 120€??

Ode à Paz,neste dia em que Bin Laden jaz nas profundezas do mar

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"

O primeiro 1º de Maio foi em 1886

No século XIX, a pujança da “Revolução Industrial” conduziu à sujeição dos trabalhadores a condições desumanas de laboração. A necessidade de se produzir o máximo ao mais baixo custo não respeitava idades nem sexos. As organizações sindicais eram incipientes e perseguidas pelas autoridades policiais.

Em 1864 é criada a Primeira Associação Internacional dos Trabalhadores, em Londres.A esta associação se chamou mais tarde a Primeira Internacional Socialista que duraria sete anos.
As divisões ideológicas entre as várias facções (sindicalistas, anarquistas, socialistas, republicanos e democratas radicais, entre outras) puseram fim à agremiação, mas deixaram mais explícitas as reivindicações e propostas pelas quais os trabalhadores se deveriam debater.A redução da jornada de trabalho para as 10 horas diárias era uma delas.

Os objectivos saídos desta Internacional tiveram eco no IV Congresso da American Federation of Labor, em Novembro de 1884. As negociações, sucessivamente falhadas com as entidades patronais, fizeram das cidades operárias um barril de pólvora pronto a explodir. Até que, em 1886, no dia 1 de Maio, teve início uma greve geral com a adesão de mais de 1 milhão de trabalhadores em todo o território norte-americano. A reacção a esta paralisação foi violenta.

Em Portugal

A decisão da Comuna de Paris, de decretar o 1º de Maio como o Dia Internacional do Trabalhador teve repercussões no nosso país. Diz-nos José Mattoso (in História de Portugal, vol. 5), que houve um reforço da luta do movimento operário português em finais do séc. XIX sendo "em torno da associação e da greve que gravita o próprio movimento operário". Entre 1852 e 1910 realizaram-se 559 greves no nosso país. A subida dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições de laboração eram as principais exigências dos operários.



Durante a I República não se deixou de festejar o Dia do Trabalhador, mas sublinhe-se que um dos primeiros diplomas aprovados, com a instituição do novo regime, dizia respeito ao estabelecimento dos feriados nacionais e destes não constava o dia do trabalhador. Em 1933 é decretada a "unicidade sindical" e o "controle governamental dos sindicatos" esmorecendo um movimento operário que só ganharia novo ânimo na década de 40. Durante o Estado Novo as manifestações no Dia do Trabalho (e não do Trabalhador) eram organizadas e controladas pelo Estado.

O primeiro 1º de Maio celebrado em Portugal depois do 25 de Abril foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas.


O que é hoje o 1º de Maio??Dantes eu ia as manifestações do Dia para festejar. Festejar a minha liberdade e a liberdade do meu pais, festejar as vitorias ganhas a nível de regalias laborais,num mar de gente que como eu, ria, cantava, celebrava. Depois, foi-me assaltando um desanimo enorme um descontentamento sem remédio com a politica do meu pais e sobretudo com os políticos pois são os homens que fazem a politica. E vi muita gente , como eu, a abandonar a descida à Baixa do Porto para celebrar o 1º de Maio.
Hoje , sei que alguns patrões obrigaram os seus trabalhadores a cumprir o mesmo horário de trabalho. E , embora o país esteja numa dificílima situaçao económica,muito perto do abismo, e a necessitar do empenho, da produção, do trabalho de todos, eu fico sempre a pensar que isto é um lamentável retrocesso nas conquistas dos pobres trabalhadores portugueses que já têm a pouca sorte de ser dos mais mal remunerados da Europa comunitária. A par de outras coisas..

E o mundo fica ,de repente , um lugar muito melhor

Morreu Ossama Bin Laden. Finalmente. Desde 2001 que os E.U.o procuravam. O homem que fez perder a vida a milhares de inocentes, finalmente morreu.E eu, sinto que o mundo é agora um sitio onde podemos viver com mais tranquilidade.
Pela minha parte, presto aqui o meu tributo aos homens do Exercito Norte americano que passaram fome,sede, frio, calor,sentiram saudade,cansaço, foram feridos ou/e perderam a vida para que hoje ,possamos respirar fundo e sentir que o mundo onde vivemos é agora mais seguro.