A minha mesa de café, o meu banco de jardim, o meu muro de lamentações, a minha varanda para o mundo
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terça-feira, 12 de abril de 2011

O Sr Carlos

O álcool produz dependência tanto psicológica como física. O alcoolismo geralmente interfere com a capacidade de se relacionar e de trabalhar e determina muitos comportamentos destrutivos. Os alcoólicos costumam estar intoxicados diariamente. A embriaguez pode alterar as relações familiares e sociais e provoca frequentemente divórcios. O absentismo extremo ao trabalho pode conduzir ao desemprego. Os alcoólicos frequentemente não conseguem controlar o seu comportamento, tendem a conduzir veículos tendo bebido e sofrem lesões físicas por quedas, brigas ou acidentes automobilísticos. Alguns alcoólicos podem também tornar-se violentos.

Causas

A causa do alcoolismo é desconhecida, mas o consumo de álcool não é o único factor. Aproximadamente 10 % das pessoas que bebem álcool tornam-se alcoólicas. Os familiares consanguíneos dos alcoólicos têm uma incidência mais alta de alcoolismo do que a população em geral. O alcoolismo tem também mais probabilidades de se desenvolver nos filhos biológicos dos alcoólicos do que nos adoptados, o que sugere que o alcoolismo implica um defeito genético ou bioquímico. Algumas investigações sugerem que as pessoas em risco de ser alcoólicas se embriagam com menos facilidade do que os não alcoólicos; isto quer dizer que os seus cérebros são menos sensíveis aos efeitos do álcool.
Para além de um possível defeito genético, existe um certo substrato e traços de personalidade que podem predispor uma pessoa para o alcoolismo. Os alcoólicos geralmente provêm de famílias desfeitas e as relações com os pais estão frequentemente alteradas. Os alcoólicos tendem a sentir-se isolados, sós, tímidos, deprimidos ou hostis. Podem exibir comportamentos autodestrutivos e ser sexualmente imaturos. Contudo, o abuso e a dependência do álcool são tão frequentes que os alcoólicos podem encontrar-se entre as pessoas com qualquer tipo de personalidade.


Fiz esta pesquisa, depois de hoje de manhã, ao dirigir-me, apressada, para a paragem do autocarro ter encontrado o Sr Carlos, um utente da S. Social , que acompanhei durante algum tempo.
O Sr Carlos é alcoólico há muitos anos e por muito que tentasse não consegui nunca integra-lo numa unidade de recuperação e que ai se mantivesse , sequer por uma semana.
Chegava , absurdamente embriagado, arrastando as palavras, numa dificuldade óbvia, cada vez mais magro e mal vestido, na demanda de qualquer pretensão que lhe permitisse melhorar a sua misérrima qualidade de vida.
Hoje, quis saber como estava,para la das evidencias.Não me reconheceu , a principio,(talvez pelos meus óculos de sol ) depois la foi dizendo, na resposta a minha pergunta que lhe cortaram o RSI, -o Sr Carlos não comparece às negociações do Programa de Inserção porque o Álcool não o deixa- e o sistema é cego.
Há que cortar!
Ha muito que deveria estar reformado por Invalidez pois o alcoolismo é uma doença.
Os filhos não querem saber de semelhante pai, que se arrasta como um vadio,pelas ruas da Cidade, depois de ter sido chefe no Lima 5 .Pobre senhor Carlos!
Pediu algum dinheiro para comer. Ainda lhe respondi, com uma fingida rispidez: Veja la se é para beber Sr Carlos! mas garantiu-me, jurou a pé junto, que só bebia agua!!:)E eu ri para mim!
La foi, e eu fiquei parada, já na paragem de autocarro a vê-lo entrar na frutaria de onde saiu quase logo, a meter na boca uma peça de fruta, com os dedos juntinhos. e depois afastava-a e olhava para ela.
Como me senti , envergonhada, do misero Euro que lhe dei,quando sou capaz de gastar 20 numa futilidade qualquer...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A mulher e o trabalho

É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem.Sómente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta.

Simone de Beauvoir.


Segunda-feira de manhã, preciso de tudo ,de todas as citações , de tudo o que me encoraje , me dê força e ânimo para mais uma semana de trabalho.
Custa-me a mexer o corpo, o cérebro parece embotado e nem um sol magnifico me alicia a meter mãos ao trabalho. Alias,depois de ter passado a minha tarde de domingo a apanhar o 1º sol "de corpo inteiro", que fez as minhas delicias, direi mesmo que pelo contrario.
Logo, ao ver este sol, o que me apetece é fazer tudo menos permanecer na sombra e quietude de um gabinete de trabalho.

Falemos,então,um pouco, da distancia que nos separa ainda dos nossos parceiros:
Ela existe ou não?

A Convenção Nº 111 da O.I.T – Organização Internacional do Trabalho,
considera que a discriminação constitui uma violação dos direitos enunciados na
Declaração Universal dos Direitos Humanos. Diz ainda, que discriminação compreende
qualquer outra distinção, exclusão ou preferência que tenha por efeito anular ou reduzir a igualdade de oportunidade ou tratamento no emprego ou profissão.

Sobre isto pouco há a dizer. Alem do mais, a distancia que me/nos separa dos homens, parece manter-se.
São, sobejamente, conhecidos pela maioria, os critérios de selecção de Bancos, e um sem-numero de empresas que exige que a mulher assine um contrato com uma clausula que lhe proibe engravidar.

Continua-se a perguntar : Igualdade? Que igualdade?

Em artigo de 9/03/2011, Clarissa Silva Ribeiro, advogada brasileira, diz:

"As mulheres, hoje, muitas chefe de família, além de suarem o dia inteiro no mercado de trabalho, precisam dar conta de todo o resto .
Na verdade, as mulheres apenas acumularam tarefas e responsabilidades. Antes bastava apenas serem boas mães e esposas. Hoje, necessitam ser super mulheres: precisam ser boas profissionais, estarem bonitas,..., bem vestidas, serem eficientes, inteligentes, cultas, bem-humoradas, etc., e tudo isso cuidando bem da casa, do marido, dos filhos! Ufa!

Não se pode negar que as mulheres conquistaram o mercado de trabalho, inclusive ocupando posições antes tipicamente masculinas, porém, da dupla, ou até tripla jornada em alguns casos, sobreveio uma série de consequências nefastas, como, por exemplo, o stress, as doenças cardíacas e a depressão".

Quanto ao seu salário que me parece que deveria ser exactamente igual ao dos homens exercendo a mesma categoria profissional parece que ainda é substancialmente inferior .E mesmo que não seja "substancialmente" a verdade é que o facto de ser inferior é por si só uma descriminação negativa.
A diferença salarial entre os dois géneros diminuiu consideravelmente na ultima década, passando de 16,3% em 2000, para 10,2 % em 2010.
Portanto, ainda temos um longo caminho a percorrer.

Maravilha das maravilhas: Creio que desentorpeci e ate consegui "fazer pela vida" enquanto este post ia evoluindo.
O dia já não me parece tão difícil, agora.

Boa semana de trabalho!
E.G.