quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Cinza.
Com os anos, o pelo azeviche foi-se tornando cinzento. Era uma bolinha de caracois cinzentos, a bambolear-se de forma única sobre 4 patinhas quase brancas; emergindo do corpo roliço era a cabeça redonda como um sol,que uma nuvem tinha encoberto, mas onde brilhavam luminosos e atentos 2 olhinhos redondos,negros e aguados que acompanhavam tudo o que eu dizia e fazia..
infatigavelmente, segui...
a-me, todos os passos que eu desse,apesar da dificuldade que ultimamente já demonstrava a levantar-se.Foi a minha companheira fiel,a quem eu falava e explicava desaires e e alegrias,fatalidades e êxitos.
De noite , no escuro,sorria ao ouvi-la ressonar. Foi por imensas vezes,em noites mais negras que o meu coração inquieto se acalmou através do ritmo da sua respiração tranquila.Nunca me senti só.A minha Thulcandrinha, (pomposamente batizada pela minha filha de Thulcandra Manuela de Bourbon)fazia parte de mim e da minha vida como se humana fosse. E para choque de muita gente eu beijava-a ,sofregamente,cobria-a de beijos , de festas de mimos, porque ela tudo merecia.
Há cerca de 10 dias adoeceu. Começou a beber quantidades exorbitantes de agua.Passei a ter de levar para o quarto,agua colocada junto da cama dela..Uma noite destas,acordei sobressaltada com ela a passear no quarto. Era a maneira de ela me acordar.Deitei-a carinhosamente, na sua caminha que todas as noites lhe fazia ao lado da minha. Mas ,tive a certeza imediata que me ia deixar. Fui ao armário e tirei um edredon e deitei-me junto dela. Abraçada a ela, em choro convulso. O telefonema às 5: 30 a minha filha.A ida a outro veterinário. O RX claro, o prognostico animador apesar da gravidade.Ao chegar a porta de casa,senti o seu corpinho que embrulhei numa toalha azul ,dobrar-se como um saco vazio, sobre as minha pernas. Mole,sem vida.Mas o coração batia. E corri o mais que pude pelas escadas acima a deita-la no sofá,no meu sitio.Mas , a minha cadelinha adorada,dava o seu ultimo suspiro pouco depois.Indiferente aos meus gritos desesperados,aos meus apelos para que não me deixasse. Os olhos ficaram abertos, mas não tinham mais sem vida . Quietos , parados.
Cinza, cinzentinha e sem vida.
E eu que já enterrei um filho pequenino,apertei-a ao peito como se de um filho se tratasse. Depois, levei-a em braços,e no carro da minha filha aconcheguei-a no meu colo , encostei-lhe a cabeça sem vida, ao meu coração partido,a sentir sobre as minhas pernas o peso do seu corpinho ainda quente.E, depois, com as minhas mãos , as mesmas que ela tantas vezes lambeu, peguei numa enxada e no sitio que me pareceu mais bonito,num terreno que também me pertence, abri uma pequena cova sob um castanheiro que la existe.De alma a sangrar,e de olhas turvos, a sentir que cada vez que levantava a enxada ,cairia no segundo imediato completamente exaurida no chão, na mesma terra remexida que a havia de cobrir.
Depois , la a coloquei, aconchegada no fundo da pequena cova, com todo o cuidado para que ficasse confortável, embrulhada na mesma toalha azul com que a levei, aflita ao veterinário, e que afinal lhe serviu de mortalha. A minha filha gemeu:”Mãe olha os olhos!”, porque ao cobri-la com terra não tive o cuidado de lhe tapar os olhinhos. E depôs,ternamente, umas pequeninas flores silvestres sobre ela.
Depois , a pequena elevação de terra foi batida dos 4 lados como a campa de um ser humano. À falta de melhor, corri o terreno com um balde a procura de pedras lisas com que lhe murei o pequeno jazigo. E como não havia flores cortei 2 ramos do castanheiro e pus-lhos sobre o sitio onde estava a cabeça dela,como para a proteger do sol, ou do frio.
Fez parte da minha vida durante quase 12 anos. E o corpinho redondo que tantas vezes cobri de beijos, lá jaz envolto num toalha de banho azul.A apodrecer devagarinho .
Cinza a fazer-se cinza.
.
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Eulalia Goncalves
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domingo, 27 de maio de 2012
Um texto escrito pela minha sobrinha sobre os fins de semana.Uma criatura espectacular, que diz com o mais belo sorriso , coisas muito serias.
Porque ao fim de semana somos mais livres e mais felizes. Dormimos. Não há horários. Sobressaltos. Saltos altos. Nem pessoas antipáticas. Recebe-se mais um dia com doçura. Abre-se a janela com mais alegria. Vai-se para a cozinha com mais vontade. Come-se sem horas, sem pressa e sem regras. Vive-se noutra dimensão, com outros ritmos e outros temperos. Sai-se. Ri-se. Diverte-se. Dá-se, a quem mais se gosta. Está-se, com quem mais se quer. Há tempo para os pormenores. Vive-se com prazer. E o dia, permitindo, vai-se por ai, sem destino, a pé, de carro, ou de bicicleta. Vai-se por ai, juntos e agradecidos, à procura de tudo e de nada. Atrás daquilo que nos permite desfrutar o ‘agora’, projetar o olhar no horizonte e confiar no que está por vir. Vamos por ai, juntos e descontraídos … O que acontece é sempre um luxo. É sempre uma graça. É sempre bom!
Carla Costa
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Eulalia Goncalves
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012
A cura que tarda
Segundo um artigo do jornal de hoje (Publico) a Universidade de Coimbra (UC), através do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), desenvolveu o primeiro rádio fármaco português
O medicamento, que só pode ser administrado em ambiente hospitalar, tem finalidades de diagnóstico, sobretudo na área da oncologia. Até agora, Portugal tinha de importar este produto de Espanha.
A chegada deste medicamento ao mercado surge depois de um processo de investigação de cerca de uma década, que implicou o doutoramento de investigadores no estrangeiro e envolveu 1500 doentes em ensaios clínicos.
Pode ser que mais um passo se tenha dado no diagnostico desta terrível e quase sempre fatídica doença.
Todos são importantes e poucos, para já.
Sera que existe alguma família onde ninguém foi atingido por esta enfermidade?
O medicamento, que só pode ser administrado em ambiente hospitalar, tem finalidades de diagnóstico, sobretudo na área da oncologia. Até agora, Portugal tinha de importar este produto de Espanha.
A chegada deste medicamento ao mercado surge depois de um processo de investigação de cerca de uma década, que implicou o doutoramento de investigadores no estrangeiro e envolveu 1500 doentes em ensaios clínicos.
Pode ser que mais um passo se tenha dado no diagnostico desta terrível e quase sempre fatídica doença.
Todos são importantes e poucos, para já.
Sera que existe alguma família onde ninguém foi atingido por esta enfermidade?
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Eulalia Goncalves
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Afinal que justiça é esta???
Leio uma noticia no jornal "Publico" de hoje e mais uma vez as minhas entranhas se revoltam.ai vai:
Nomeações para gabinetes ministeriais publicadas com direito aos dois subsídios
Nomeação de Paula Teixeira da Cruz levanta dúvidas Nomeação de Paula Teixeira da Cruz levanta dúvidas (Foto: Nuno Ferreira Santos)
É mais uma nomeação que está a criar dúvidas quanto à suspensão do pagamento dos subsídios de Natal e de férias aos funcionários dos gabinetes ministeriais. A ministra da Justiça nomeou mais um funcionário para o seu gabinete, tendo feito constar do despacho, publicado a 27 de Janeiro, o direito do mesmo aos subsídios de férias e de Natal.
Afinal de contas comem todos ou não há mesmo moralidade?
E.G.
Nomeações para gabinetes ministeriais publicadas com direito aos dois subsídios
Nomeação de Paula Teixeira da Cruz levanta dúvidas Nomeação de Paula Teixeira da Cruz levanta dúvidas (Foto: Nuno Ferreira Santos)
É mais uma nomeação que está a criar dúvidas quanto à suspensão do pagamento dos subsídios de Natal e de férias aos funcionários dos gabinetes ministeriais. A ministra da Justiça nomeou mais um funcionário para o seu gabinete, tendo feito constar do despacho, publicado a 27 de Janeiro, o direito do mesmo aos subsídios de férias e de Natal.
Afinal de contas comem todos ou não há mesmo moralidade?
E.G.
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Rosalia de Castro
ROSALÍA DE CASTRO, nasceu em Santiago de Compostela a 21 de Fevereiro de 1837 e faleceu em Padrón a 15 de Julho de 1885.
Do blog de "Poesia Gallega" extraio para divulgaçao a seguinte nota sobre Rosalia acompanhada de um pequeno poema:
"Natural da Galícia, Espanha, nasceu na cidade de Santiago de Compostela. Sua poesia inspira-se na lírica popular trovadoresca e foi escrita em galego e em castelhano. Considerada a figura mais importante da poesia galega do século XIX, publicou os livros Cantares Gallegos (1863) e Folhas Novas (1880), ambos escritos em galego, e En las Orillas del Sar (1884), este considerado os primeiros versos modernos em língua castelhana. Sua poesia será relida e valorizada pela geração de 1898: Antonio Machado, Miguel de Unamuino, Juan Ramón Jiménez e, mais tarde, Federico García Lorca.
II
Bem sei que non hai nada
Novo en baixo do ceo,
Que antes outros pensaron
As cousas que ora eu penso.
E bem, ¿para que escribo?
E bem, porque así semos,
Relox que repetimos
Eternamente o mesmo".
Tera tido uma vida um pouco triste. Por isso há quem compare a sua vida à de Florbela Espanca.
Filha de um amor escondido entre sua mãe e um sacerdote, diz-se que morreu de cancro com 48 anos, depois de pedir um ramo da sua flor predilecta : amores-perfeitos e de ter dito a sua filha para lhe abrir a janela que queria ver o mar.
Os seus poemas inéditos foram , segundo o seu desejo, queimados.
O Porto tem , orgulosamente, uma estátua de Rosalia de Castro, do escultor Barata Feyo, na Praça da Galiza.
Adiós, ríos; adios, fontes;
adios, regatos pequenos;
adios, vista dos meus ollos:
non sei cando nos veremos.
Miña terra, miña terra,
terra donde me eu criei,
hortiña que quero tanto,
figueiriñas que prantei,
Do blog de "Poesia Gallega" extraio para divulgaçao a seguinte nota sobre Rosalia acompanhada de um pequeno poema:
"Natural da Galícia, Espanha, nasceu na cidade de Santiago de Compostela. Sua poesia inspira-se na lírica popular trovadoresca e foi escrita em galego e em castelhano. Considerada a figura mais importante da poesia galega do século XIX, publicou os livros Cantares Gallegos (1863) e Folhas Novas (1880), ambos escritos em galego, e En las Orillas del Sar (1884), este considerado os primeiros versos modernos em língua castelhana. Sua poesia será relida e valorizada pela geração de 1898: Antonio Machado, Miguel de Unamuino, Juan Ramón Jiménez e, mais tarde, Federico García Lorca.
II
Bem sei que non hai nada
Novo en baixo do ceo,
Que antes outros pensaron
As cousas que ora eu penso.
E bem, ¿para que escribo?
E bem, porque así semos,
Relox que repetimos
Eternamente o mesmo".
Tera tido uma vida um pouco triste. Por isso há quem compare a sua vida à de Florbela Espanca.
Filha de um amor escondido entre sua mãe e um sacerdote, diz-se que morreu de cancro com 48 anos, depois de pedir um ramo da sua flor predilecta : amores-perfeitos e de ter dito a sua filha para lhe abrir a janela que queria ver o mar.
Os seus poemas inéditos foram , segundo o seu desejo, queimados.
O Porto tem , orgulosamente, uma estátua de Rosalia de Castro, do escultor Barata Feyo, na Praça da Galiza.
Adiós, ríos; adios, fontes;
adios, regatos pequenos;
adios, vista dos meus ollos:
non sei cando nos veremos.
Miña terra, miña terra,
terra donde me eu criei,
hortiña que quero tanto,
figueiriñas que prantei,
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Eulalia Goncalves
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A morte solitaria dos Idosos
Pelos vistos, este ano , nos últimos 6 dias ,já 10 idosos foram encontrados sem vida, dentro das casas onde viviam sozinhos.
A vizinhança já não os via há alguns dias mas..nada de se mexerem, tocar à campainha, perguntar se era preciso algo. É uma sociedade estranha esta, a de que fazemos parte.
Agora, um grupo de cidadãos lança uma petição pública para que o parlamento crie uma Comissão de Acompanhamento de Idosos, que seja capaz de sinalizar e encontrar soluções para os casos de isolamento e abandono que se verificam.
Claro que, para muitos, vai ser tarde de mais.
Para alem do isolamento e abandono todos sabemos , mesmo que não existam perto de nós, de casos ainda de maus–tratos e negligencia.
A petição anda no facebook.
Talvez porque estamos no Ano europeu do envelhecimento activo e da solidariedade entre gerações .
Vamos aderir em força. Pelos nossos idosos.
A vizinhança já não os via há alguns dias mas..nada de se mexerem, tocar à campainha, perguntar se era preciso algo. É uma sociedade estranha esta, a de que fazemos parte.
Agora, um grupo de cidadãos lança uma petição pública para que o parlamento crie uma Comissão de Acompanhamento de Idosos, que seja capaz de sinalizar e encontrar soluções para os casos de isolamento e abandono que se verificam.
Claro que, para muitos, vai ser tarde de mais.
Para alem do isolamento e abandono todos sabemos , mesmo que não existam perto de nós, de casos ainda de maus–tratos e negligencia.
A petição anda no facebook.
Talvez porque estamos no Ano europeu do envelhecimento activo e da solidariedade entre gerações .
Vamos aderir em força. Pelos nossos idosos.
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Eulalia Goncalves
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Os amores-(im)perfeitos na minha vida
Decidi, escrever-te uma carta.
Melhor, fazer de conta que te escrevo uma carta. Para te falar dos meus desatinos, dos meus olhares vazios, das vezes em que a tua imagem me avassala ,vem abruptamente , e eu pura e simplesmente deixo de seguir o que estava a pensar ou/e a fazer e fico para ali, parada, silenciosa, a lembrar-me de ti.
Não sei se já reparaste, se calhar não, mas florescem amores-perfeitos, nos canteiros dos jardins públicos da cidade. Não que isso tenha importância, claro que não.
Desde criança que adoro amores-perfeitos. Invade-me por vezes uma nostalgia imensa desses tempos, perdidos em bruma. Uma infância tão diferente das infâncias das nossas crianças de hoje!
Eu era uma menina pobre. Morava numa casa grande; quando somos pequenos tudo é, na nossa memória, desmesuradamente grande. Depois quando crescemos, choca-nos a pequenez das coisas, ao revê-las.
Mas, a casa era grande, aquela casa era mesmo grande e as tábuas do soalho eram tão grandes que o meu corpito estreito e pequeno cabia inteiro em cada uma delas…Eram tábuas grossas e envelhecidas . Havia uma varanda que dava para uma eira enorme. E do lado direito da eira a casa da Angélica.
A casa onde eu e a minha família vivíamos era arrendada;A senhoria, que vivia na casa imediatamente ao lado, era muito mais velha que o marido, de cabelo preso num pequenino novelo de cor da prata , sem filhos e dedicava-me a mim, nos meus 7 ou 8 anos, um carinho especial. Eu via-a, um pouco, como a avó ausente, que tinha ficado lá longe, na terra onde nasci, por força da necessidade de meus pais ganharem o pão, para criar os quatro filhos.
Por detrás das casas, havia um terreno, grande, cultivado em cada centímetro quadrado, a que eu acedi, sempre, acompanhada da velha senhora. E ao fundo do lado direito- ainda estou a vê-lo! Havia um grande canteiro de amores-perfeitos!!!!
Eu olhava-os de olhos arregalados e atentos, presa daquele colorido magico. Eram lindos nas suas formas e cores aveludadas. Que delicia! Para mim é como se fossem eternos. Possivelmente foi apenas durante uma estação que visitei o canteiro mas por mais que uma vez, ou então, a visita repetiu-se no ano seguinte e na minha memória o lapso de tempo não existe.
Lembro-me apenas com saudade , sempre, dos amores-perfeitos dessa minha infância, esses , os da minha vizinha e senhoria. Sinto-lhes ainda o toque e o perfume, quando olho nostálgica para os amores-perfeitos de que te falei.
Mais tarde, aquela senhora morreria e no mesmo dia morreria o marido, o que obrigou a que fossem enterrados juntos. Já naquele tempo, o meu romantismo me levava a altas considerações sobre o amor, horas e horas de olhar parado, em cima do caderno ou do livro da escola.
Por que te falo de amores-perfeitos? Por nada , talvez associação livre.
A pena que tenho, de não te chegar a conhecer inteiramente. Se calhar tu também tens destas memórias, de nadas, de pequenas coisas, que preenchem o nosso universo particular e fazem de nós, afinal, as pessoas que somos.
Sim, porque mesmo que fosse possível, num esforço de abstracção pura, idealizar outro alguém exactamente igual a nós, seriam sempre as nossas memórias, as nossas vivências, a fazer de cada um de nós, uma pessoa diferente.
Sim , pouco nos conhecemos. Talvez por isso, este amor, foi assim, estranhamente intenso e inquietantemente profundo .
Não, não por favor!! Eu sei que tu tens imensa coisa para me dizer; hás-de querer de certeza lembrar-me que, também tu, me amaste embora não desta forma, quase doentia, como te amei; hás-de querer, quiçá, falar-me das vezes que te lembras do meu perfume, da minha voz, das minhas palavras, dos meus beijos.
Deixa. A sério, não digas nada.
Guarda, para ti, as vezes que os meus olhos te falavam de coisas inconfessáveis, que eu farei o mesmo.
Afinal, sabes, sim tu sabes, quantas pessoas poderão dizer o mesmo que nós?
Quem poderá falar de uma paixão deste tamanho?
Guarda, guarda na sombra acetinada e protegida de uma gaveta especial, no teu coração, a memória deste meu amor.
E, aproveita, corta uns amores-perfeitos e mete-os lá nessa gaveta. Mexe-lhes, apenas, quando sentires que a morte se aproxima.
Repara , então ,que das as pétalas secas, se evola ,nítido, o meu perfume .
O meu amor continua vivo.
E.G.
Melhor, fazer de conta que te escrevo uma carta. Para te falar dos meus desatinos, dos meus olhares vazios, das vezes em que a tua imagem me avassala ,vem abruptamente , e eu pura e simplesmente deixo de seguir o que estava a pensar ou/e a fazer e fico para ali, parada, silenciosa, a lembrar-me de ti.
Não sei se já reparaste, se calhar não, mas florescem amores-perfeitos, nos canteiros dos jardins públicos da cidade. Não que isso tenha importância, claro que não.
Desde criança que adoro amores-perfeitos. Invade-me por vezes uma nostalgia imensa desses tempos, perdidos em bruma. Uma infância tão diferente das infâncias das nossas crianças de hoje!
Eu era uma menina pobre. Morava numa casa grande; quando somos pequenos tudo é, na nossa memória, desmesuradamente grande. Depois quando crescemos, choca-nos a pequenez das coisas, ao revê-las.
Mas, a casa era grande, aquela casa era mesmo grande e as tábuas do soalho eram tão grandes que o meu corpito estreito e pequeno cabia inteiro em cada uma delas…Eram tábuas grossas e envelhecidas . Havia uma varanda que dava para uma eira enorme. E do lado direito da eira a casa da Angélica.
A casa onde eu e a minha família vivíamos era arrendada;A senhoria, que vivia na casa imediatamente ao lado, era muito mais velha que o marido, de cabelo preso num pequenino novelo de cor da prata , sem filhos e dedicava-me a mim, nos meus 7 ou 8 anos, um carinho especial. Eu via-a, um pouco, como a avó ausente, que tinha ficado lá longe, na terra onde nasci, por força da necessidade de meus pais ganharem o pão, para criar os quatro filhos.
Por detrás das casas, havia um terreno, grande, cultivado em cada centímetro quadrado, a que eu acedi, sempre, acompanhada da velha senhora. E ao fundo do lado direito- ainda estou a vê-lo! Havia um grande canteiro de amores-perfeitos!!!!
Eu olhava-os de olhos arregalados e atentos, presa daquele colorido magico. Eram lindos nas suas formas e cores aveludadas. Que delicia! Para mim é como se fossem eternos. Possivelmente foi apenas durante uma estação que visitei o canteiro mas por mais que uma vez, ou então, a visita repetiu-se no ano seguinte e na minha memória o lapso de tempo não existe.
Lembro-me apenas com saudade , sempre, dos amores-perfeitos dessa minha infância, esses , os da minha vizinha e senhoria. Sinto-lhes ainda o toque e o perfume, quando olho nostálgica para os amores-perfeitos de que te falei.
Mais tarde, aquela senhora morreria e no mesmo dia morreria o marido, o que obrigou a que fossem enterrados juntos. Já naquele tempo, o meu romantismo me levava a altas considerações sobre o amor, horas e horas de olhar parado, em cima do caderno ou do livro da escola.
Por que te falo de amores-perfeitos? Por nada , talvez associação livre.
A pena que tenho, de não te chegar a conhecer inteiramente. Se calhar tu também tens destas memórias, de nadas, de pequenas coisas, que preenchem o nosso universo particular e fazem de nós, afinal, as pessoas que somos.
Sim, porque mesmo que fosse possível, num esforço de abstracção pura, idealizar outro alguém exactamente igual a nós, seriam sempre as nossas memórias, as nossas vivências, a fazer de cada um de nós, uma pessoa diferente.
Sim , pouco nos conhecemos. Talvez por isso, este amor, foi assim, estranhamente intenso e inquietantemente profundo .
Não, não por favor!! Eu sei que tu tens imensa coisa para me dizer; hás-de querer de certeza lembrar-me que, também tu, me amaste embora não desta forma, quase doentia, como te amei; hás-de querer, quiçá, falar-me das vezes que te lembras do meu perfume, da minha voz, das minhas palavras, dos meus beijos.
Deixa. A sério, não digas nada.
Guarda, para ti, as vezes que os meus olhos te falavam de coisas inconfessáveis, que eu farei o mesmo.
Afinal, sabes, sim tu sabes, quantas pessoas poderão dizer o mesmo que nós?
Quem poderá falar de uma paixão deste tamanho?
Guarda, guarda na sombra acetinada e protegida de uma gaveta especial, no teu coração, a memória deste meu amor.
E, aproveita, corta uns amores-perfeitos e mete-os lá nessa gaveta. Mexe-lhes, apenas, quando sentires que a morte se aproxima.
Repara , então ,que das as pétalas secas, se evola ,nítido, o meu perfume .
O meu amor continua vivo.
E.G.
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sábado, 31 de dezembro de 2011
A historia extraordinaria de uma menina que lutou contra um cancro
Apenas quase 3 anos depois da sua morte me chega a sua historia.Entra-me em casa , atraves de um programa de Tv que me irrita ate um bocadinho, mas que, hoje, me prendeu imediatasmente.Chama-se Extreme qualquer coisa.
Hoje falava de uma menina americana que lutava corajosamente contra um cancro dos piores, cuja familia vivia numa casa cujas condiçoes eram incompativeis com a sua doença. Uma historia de terror misturada com um conto de fadas.
Chorei muito , muito..Nao sei se pela menina que sofreu tanto ou se pela familia amputada.Nao sei se pela coragem dela, (morreu aos 8 anos e que percurso de sofrimento!!)ou pelo facto de eu nada poder fazer mesmo que vivesse.
Estou-lhe grata, porem , pela luz que afinal tambem derramou sobre a mimnha vida.
Obrigada Boey
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sábado, 17 de dezembro de 2011
Como Salazar perdeu a India
Um certo portugal começava a ruir há 50 anos. A 22 de Janeiro de 1961, um comando liderado por Henrique Galvão tomava o paquete português Santa Maria.
A 4 de Fevereiro, o MPLA atacava a cadeia de Luanda e ateava o rastilho para a guerra de libertação de Angola – onze dias depois, a UPA matava e esquartejava mais de 800 pessoas no Norte. Entre Março e Abril, o ministro da Defesa Botelho Moniz tentava e falhava um golpe palaciano para afastar António de Oliveira Salazar do poder.
As eleições legislativas de 10 de Novembro, manipuladas, são precedidas de intensa agitação. Dois dias antes, um voo da TAP que ligava Casablanca a Lisboa era tomado por opositores do regime que lançaram milhares de panfletos sobre a capital e o Sul do país. Na véspera da votação, um grupo de militantes comunistas foge de Caxias num carro de Salazar. Seguir-se-ia o assalto ao quartel de Beja.
Mas era longe da metrópole e de África que o Portugal colonial iria sofrer, ainda em 1961, a sua primeira amputação. A história da queda do Estado Português da Índia tornar-se-ia paradigmática do autismo do regime perante pressões internas e alterações externas. E tornar-se-ia uma história sobre como se conta uma história: como se quiser contar.
Índia pouco portuguesa
Goa, Damão e Diu. Gerações memorizaram estas três palavras como pedaços de um Portugal que ia do Minho a Timor. Capítulo inquestionável da história lusa no Oriente, a portugalidade do Estado da Índia era no entanto dúbia.
Segundo o censo de 1940, dos seus 624.177 habitantes, apenas 1.371 eram descendentes de portugueses. Um terço professava a fé católica, mas apenas 1,1% da população falava português. «Goa não é uma província portuguesa», concluía à data o diplomata espanhol Juan Carlos Jiménez, citado em Xeque-Mate a Goa, o livro da investigadora Maria Manuel Stocker que conta a verdadeira história do fim da presença portuguesa na Índia. «Goa tem todo o aspecto de uma colónia.
Uma minoria portuguesa ocupa os postos fundamentais, secundados por uns poucos goeses. Existe uma pequena classe média comercial, geralmente hindu ou muçulmana, e o resto da população é simplesmente a típica massa amorfa da Índia, apática, faminta, doente, totalmente indiferente e ignorante de problemas que não sejam os de resolver o milagre diário da alimentação», sentenciava.
Vizinha da União Indiana, que conquistara a independência do Reino Unido em 1947, a Índia Portuguesa, pouco industrializada e de parca capacidade agrícola, dependia economicamente do outro lado de uma fronteira porosa. Goa, Damão e Diu, argumenta Stocker, faziam geográfica, social, cultural, linguística e religiosamente parte da vizinha Índia, não tinham valor nem na economia nem na demografia portuguesas e eram sobretudo fonte de encargos.
Mas, na metrópole, a narrativa era outra – a de que Goa era e queria continuar a ser portuguesa. Contava o Século Ilustrado de 29 de Março de 1947 que, contra «vozes vindas da Índia inglesa» que clamavam o fim da presença lusa, «a população em espectaculosas manifestações pediu que Goa permanecesse portuguesa». O ajuntamento era organizado pelo regime.
Fracasso diplomático
Desde a independência que a Nova Deli de Jawaharlal Nehru reclamava a integração da Índia Portuguesa na União Indiana. Era um imperativo ideológico e nacional. Lisboa, por seu turno, queria preservar a integridade da república unitária e evitar um precedente em relação às restantes colónias. Para o efeito, Portugal alterou em 1946 a designação de ‘colónia’ para ‘província ultramarina’, estreando a Índia Portuguesa o novo estatuto.
O conflito era inevitável e o contexto seria favorável à Índia. A Inglaterra, tradicional aliada de Portugal, deixara de ser o fiel da balança internacional. Londres, interessada em manter boas relações com Nova Deli, não mais poderia mediar conflitos num mundo polarizado entre Estados Unidos e União Soviética. Washington e Moscovo eram anticolonialistas e o mesmo carácter tinha a recém-criada Organização das Nações Unidas. Todos cortejavam a Índia.
A contenda foi inicialmente diplomática. Como para romper relações seria necessário estabelecê-las primeiro, portugueses e indianos encetaram laços formais em 1949 – Nova Deli quebrou-os em 1953, perante a ausência de diálogo sobre Goa. A questão internacionaliza-se depois, com intervenções de Nehru na ONU e nas conferências dos países não-alinhados. Salazar mobiliza a diplomacia lusa para uma ofensiva mediática junto dos países aliados. O argumentário centrava-se em três pontos: que a Índia Portuguesa fazia parte da nação há 450 anos, que o regime não discriminava raças ou credos e, por fim, que Goa era um posto avançado na luta contra o comunismo.
Mas os argumentos não colhem. Ignorado por Londres, Washington e a Santa Sé, condenado pela ONU, o regime explorou soluções alternativas para a questão de Goa, alvo de um bloqueio económico e de acções de desobediência civil. Muitas ponderadas à porta fechada, porque questionavam princípios sagrados do Estado Novo. Francisco da Costa Gomes, subsecretário de Estado do Exército, propõe a Salazar em 1960 a realização de um referendo. Questionado sobre um possível veredicto, responde ao Presidente do Conselho: «Se tivermos entre 7 e 10% dos votos a favor podemos considerar que a nossa acção na Índia foi uma soma muito positiva. Porque a Índia não é portuguesa». Exploraram-se contactos secretos com o Paquistão e mesmo com a China comunista, a quem seria oferecida uma base naval.
Batalha ficcionada
Nos anos de 1960 e 1961, a ameaça da guerra em África leva o regime a desinvestir na Índia. Os 12.000 militares que nos anos 50 defendiam o território passam a 3.500. Para Nova Deli, é o momento de agir. Lisboa conhecia os planos de invasão desde o Verão de 1961, mas em vez de um reforço militar optou por nova ofensiva mediática centrada na vitimização de uma pequena nação perante um inimigo pró-soviético. Salazar previa uma «heróica defesa» de portugueses e goeses. Mais do que prever, exigiu-a por telegrama ao governador Manuel António Vassalo e Silva, recomendando um «sacrifício total» e declarando que «pode haver apenas soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos». Lisboa transportou para Goa jornalistas portugueses e estrangeiros. Seriam observadores independentes do sacrifício português, mas acabaram por testemunhar algo totalmente diferente.
A guerra estala na manhã de 17 de Dezembro de 1961 com a morte de dois soldados portugueses em Maulinguém. É decretada a mobilização de todos os militares no activo residentes em Goa, mas apenas um tenente miliciano se apresenta às autoridades. Era o prenúncio do desaire. À meia-noite do dia 18, a Marinha e a aviação indianas iniciam o bombardeamento de posições estratégicas e dão cobertura à entrada de 45.000 soldados em território português. A aviação lusa era ali inexistente e as forças navais incapazes de responder ao fogo inimigo. Um pelotão de artilharia anti-aérea português chegara na noite anterior, no último voo para Goa, disfarçado de equipa de futebol, para tomar posições no aeroporto de Dambolim. Encontram armamento do início do século e munições inutilizadas pela humidade.
As forças portuguesas em Goa antevêem o avanço rápido dos indianos e chegam a ponderar um golpe para decretar a rendição do território. Os oficiais acabam por optar por uma resistência mínima com o disparo de «uns tiros simbólicos». Assim sucede, com a excepção de episódios isolados como o do segundo-tenente Oliveira e Carmo, que em Diu dirige a lancha Vega contra um cruzador indiano e repele vários ataques aéreos. Morreria ao lado de dois outros militares. Ao final da noite de 18 de Dezembro, a bandeira branca esvoaçava em Pangim. A invasão salda-se na morte de 20 portugueses e 21 indianos.
Militares castigados
O sangue derramado não seria suficiente para Salazar escrever a sua narrativa. Recorre à mentira. Em Lisboa, os jornais dão conta da morte de mais de mil portugueses. Os títulos galvanizam a opinião pública em torno do regime mas deixam milhares de famílias de coração nas mãos. Estas só saberiam do destino dos seus filhos meses depois. Os militares portugueses foram aprisionados em campos de concentração indianos. No outro lado do Índico, Portugal retaliava com a detenção de 12.000 indianos em Moçambique. A troca dos reféns acontece a partir de Maio de 1962. O regresso a Lisboa é discreto e inglório. Desembarcam sob a mira das armas da Polícia Militar, são colocados em comboios e encaminhados para as respectivas unidades mobilizadoras. Só depois voltam a casa, cinco meses após a notícia de uma possível morte em terra distante. Dez oficiais do Exército seriam demitidos, cinco reformados compulsivamente e nove suspensos por seis meses.
Goa seria rapidamente esquecida perante o agravamento do conflito em África. Os 463 anos de domínio português na Índia terminariam como uma nota menor da história do Estado Novo, cumpre-se este domingo 50 anos.
pedro.guerreiro@sol.pt
Publicada por
Eulalia Goncalves
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Mulheres, uma das nossas morreu
Aos 70 anos, calou-se a voz da “Diva dos Pés Descalços”, como ficou conhecida a cantora cabo-verdeana.
Em 2004 conquistou um prémio Grammy de melhor álbum de “world music” contemporânea. Em 2009, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, distinguiu-a com a medalha da Legião de Honra entregue pela ministra da cultura francesa.
Em Setembro de 2011, depois de cancelar um conjunto de concertos por se encontrar muito debilitada, a sua editora, a Lusáfrica, anunciou que a cantora pôs um ponto final na sua longa carreira.
A “rainha da morna”, como Cesária Évora também era chamada, morreu esta manhã no hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, Cabo Verde, onde se encontrava internada desde sexta-feira.
A notícia foi confirmada à Lusa pelo director clínico do hospital, que explicou que a morte ocorreu por volta das 11:20 de hoje por "insuficiência cardio-respiratória aguda e tensão cardíaca elevada".
Alcides Gonçalves disse ainda que desde que Cesária deu entrada no hospital esteve internada nos serviços de cuidados intensivos "com um quadro muito complexo".
"Durante este período, ela alternou momentos de lucidez com momentos de inconsciência e esteve sempre acompanhada do seu empresário José da Silva", disse o director.
Cesária Évora condecorada em França
Cantora cabo-verdiana recebeu as insígnias de Cavaleiro da Legião de Honra
A cantora cabo-verdiana Cesária Évora recebeu, hoje, em Paris, das mãos da ministra francesa da Cultura, Christine Albanel, as insígnias de Cavaleiro da Legião de Honra.
'Esta condecoração representa a minha carreira e a aceitação', comentou, à agência Lusa, Cesária Évora.
'Estou muito contente por saber que o Jacques Chirac [ex-Presidente da República Francesa] pensou em mim e me deu esta Legião de Honra', acrescentou a cantora.
O papel desenvolvido pela artista cabo-verdiana no panorama cultural e, em particular ,na área musical a nível mundial está na origem da condecoração com que Cesária Évora foi distinguida, em 2007, pelo então Presidente da República, e que hoje lhe foi entregue pela ministra Christine Albanel.
Cesária Évora 'fez entrar os ritmos cabo-verdianos no património musical mundial', disse a ministra.
Segundo ela, apesar do sucesso e das inúmeras distinções, Cesária Évora 'continuou a ser essa cantora de presença descontraída, que o público, maravilhado, descobriu em Lisboa e depois em Paris.'
Em 2004 conquistou um prémio Grammy de melhor álbum de “world music” contemporânea. Em 2009, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, distinguiu-a com a medalha da Legião de Honra entregue pela ministra da cultura francesa.
Em Setembro de 2011, depois de cancelar um conjunto de concertos por se encontrar muito debilitada, a sua editora, a Lusáfrica, anunciou que a cantora pôs um ponto final na sua longa carreira.
A “rainha da morna”, como Cesária Évora também era chamada, morreu esta manhã no hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, Cabo Verde, onde se encontrava internada desde sexta-feira.
A notícia foi confirmada à Lusa pelo director clínico do hospital, que explicou que a morte ocorreu por volta das 11:20 de hoje por "insuficiência cardio-respiratória aguda e tensão cardíaca elevada".
Alcides Gonçalves disse ainda que desde que Cesária deu entrada no hospital esteve internada nos serviços de cuidados intensivos "com um quadro muito complexo".
"Durante este período, ela alternou momentos de lucidez com momentos de inconsciência e esteve sempre acompanhada do seu empresário José da Silva", disse o director.
Cesária Évora condecorada em França
Cantora cabo-verdiana recebeu as insígnias de Cavaleiro da Legião de Honra
A cantora cabo-verdiana Cesária Évora recebeu, hoje, em Paris, das mãos da ministra francesa da Cultura, Christine Albanel, as insígnias de Cavaleiro da Legião de Honra.
'Esta condecoração representa a minha carreira e a aceitação', comentou, à agência Lusa, Cesária Évora.
'Estou muito contente por saber que o Jacques Chirac [ex-Presidente da República Francesa] pensou em mim e me deu esta Legião de Honra', acrescentou a cantora.
O papel desenvolvido pela artista cabo-verdiana no panorama cultural e, em particular ,na área musical a nível mundial está na origem da condecoração com que Cesária Évora foi distinguida, em 2007, pelo então Presidente da República, e que hoje lhe foi entregue pela ministra Christine Albanel.
Cesária Évora 'fez entrar os ritmos cabo-verdianos no património musical mundial', disse a ministra.
Segundo ela, apesar do sucesso e das inúmeras distinções, Cesária Évora 'continuou a ser essa cantora de presença descontraída, que o público, maravilhado, descobriu em Lisboa e depois em Paris.'
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