A minha mesa de café, o meu banco de jardim, o meu muro de lamentações, a minha varanda para o mundo

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Afinal que justiça é esta???

Leio uma noticia no jornal "Publico" de hoje e mais uma vez as minhas entranhas se revoltam.ai vai:
Nomeações para gabinetes ministeriais publicadas com direito aos dois subsídios



Nomeação de Paula Teixeira da Cruz levanta dúvidas Nomeação de Paula Teixeira da Cruz levanta dúvidas (Foto: Nuno Ferreira Santos)

É mais uma nomeação que está a criar dúvidas quanto à suspensão do pagamento dos subsídios de Natal e de férias aos funcionários dos gabinetes ministeriais. A ministra da Justiça nomeou mais um funcionário para o seu gabinete, tendo feito constar do despacho, publicado a 27 de Janeiro, o direito do mesmo aos subsídios de férias e de Natal.

Afinal de contas comem todos ou não há mesmo moralidade?
E.G.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Rosalia de Castro

ROSALÍA DE CASTRO, nasceu em Santiago de Compostela a 21 de Fevereiro de 1837 e faleceu em Padrón a 15 de Julho de 1885.
Do blog de "Poesia Gallega" extraio para divulgaçao a seguinte nota sobre Rosalia acompanhada de um pequeno poema:

"Natural da Galícia, Espanha, nasceu na cidade de Santiago de Compostela. Sua poesia inspira-se na lírica popular trovadoresca e foi escrita em galego e em castelhano. Considerada a figura mais importante da poesia galega do século XIX, publicou os livros Cantares Gallegos (1863) e Folhas Novas (1880), ambos escritos em galego, e En las Orillas del Sar (1884), este considerado os primeiros versos modernos em língua castelhana. Sua poesia será relida e valorizada pela geração de 1898: Antonio Machado, Miguel de Unamuino, Juan Ramón Jiménez e, mais tarde, Federico García Lorca.


II

Bem sei que non hai nada

Novo en baixo do ceo,

Que antes outros pensaron

As cousas que ora eu penso.



E bem, ¿para que escribo?

E bem, porque así semos,

Relox que repetimos

Eternamente o mesmo".

Tera tido uma vida um pouco triste. Por isso há quem compare a sua vida à de Florbela Espanca.
Filha de um amor escondido entre sua mãe e um sacerdote, diz-se que morreu de cancro com 48 anos, depois de pedir um ramo da sua flor predilecta : amores-perfeitos e de ter dito a sua filha para lhe abrir a janela que queria ver o mar.
Os seus poemas inéditos foram , segundo o seu desejo, queimados.
O Porto tem , orgulosamente, uma estátua de Rosalia de Castro, do escultor Barata Feyo, na Praça da Galiza.

Adiós, ríos; adios, fontes;
adios, regatos pequenos;
adios, vista dos meus ollos:
non sei cando nos veremos.

Miña terra, miña terra,
terra donde me eu criei,
hortiña que quero tanto,
figueiriñas que prantei,

A morte solitaria dos Idosos

Pelos vistos, este ano , nos últimos 6 dias ,já 10 idosos foram encontrados sem vida, dentro das casas onde viviam sozinhos.
A vizinhança já não os via há alguns dias mas..nada de se mexerem, tocar à campainha, perguntar se era preciso algo. É uma sociedade estranha esta, a de que fazemos parte.
Agora, um grupo de cidadãos lança uma petição pública para que o parlamento crie uma Comissão de Acompanhamento de Idosos, que seja capaz de sinalizar e encontrar soluções para os casos de isolamento e abandono que se verificam.
Claro que, para muitos, vai ser tarde de mais.
Para alem do isolamento e abandono todos sabemos , mesmo que não existam perto de nós, de casos ainda de maus–tratos e negligencia.
A petição anda no facebook.
Talvez porque estamos no Ano europeu do envelhecimento activo e da solidariedade entre gerações .
Vamos aderir em força. Pelos nossos idosos.

Os amores-(im)perfeitos na minha vida

Decidi, escrever-te uma carta.
Melhor, fazer de conta que te escrevo uma carta. Para te falar dos meus desatinos, dos meus olhares vazios, das vezes em que a tua imagem me avassala ,vem abruptamente , e eu pura e simplesmente deixo de seguir o que estava a pensar ou/e a fazer e fico para ali, parada, silenciosa, a lembrar-me de ti.
Não sei se já reparaste, se calhar não, mas florescem amores-perfeitos, nos canteiros dos jardins públicos da cidade. Não que isso tenha importância, claro que não.
Desde criança que adoro amores-perfeitos. Invade-me por vezes uma nostalgia imensa desses tempos, perdidos em bruma. Uma infância tão diferente das infâncias das nossas crianças de hoje!
Eu era uma menina pobre. Morava numa casa grande; quando somos pequenos tudo é, na nossa memória, desmesuradamente grande. Depois quando crescemos, choca-nos a pequenez das coisas, ao revê-las.
Mas, a casa era grande, aquela casa era mesmo grande e as tábuas do soalho eram tão grandes que o meu corpito estreito e pequeno cabia inteiro em cada uma delas…Eram tábuas grossas e envelhecidas . Havia uma varanda que dava para uma eira enorme. E do lado direito da eira a casa da Angélica.
A casa onde eu e a minha família vivíamos era arrendada;A senhoria, que vivia na casa imediatamente ao lado, era muito mais velha que o marido, de cabelo preso num pequenino novelo de cor da prata , sem filhos e dedicava-me a mim, nos meus 7 ou 8 anos, um carinho especial. Eu via-a, um pouco, como a avó ausente, que tinha ficado lá longe, na terra onde nasci, por força da necessidade de meus pais ganharem o pão, para criar os quatro filhos.
Por detrás das casas, havia um terreno, grande, cultivado em cada centímetro quadrado, a que eu acedi, sempre, acompanhada da velha senhora. E ao fundo do lado direito- ainda estou a vê-lo! Havia um grande canteiro de amores-perfeitos!!!!
Eu olhava-os de olhos arregalados e atentos, presa daquele colorido magico. Eram lindos nas suas formas e cores aveludadas. Que delicia! Para mim é como se fossem eternos. Possivelmente foi apenas durante uma estação que visitei o canteiro mas por mais que uma vez, ou então, a visita repetiu-se no ano seguinte e na minha memória o lapso de tempo não existe.
Lembro-me apenas com saudade , sempre, dos amores-perfeitos dessa minha infância, esses , os da minha vizinha e senhoria. Sinto-lhes ainda o toque e o perfume, quando olho nostálgica para os amores-perfeitos de que te falei.

Mais tarde, aquela senhora morreria e no mesmo dia morreria o marido, o que obrigou a que fossem enterrados juntos. Já naquele tempo, o meu romantismo me levava a altas considerações sobre o amor, horas e horas de olhar parado, em cima do caderno ou do livro da escola.

Por que te falo de amores-perfeitos? Por nada , talvez associação livre.
A pena que tenho, de não te chegar a conhecer inteiramente. Se calhar tu também tens destas memórias, de nadas, de pequenas coisas, que preenchem o nosso universo particular e fazem de nós, afinal, as pessoas que somos.
Sim, porque mesmo que fosse possível, num esforço de abstracção pura, idealizar outro alguém exactamente igual a nós, seriam sempre as nossas memórias, as nossas vivências, a fazer de cada um de nós, uma pessoa diferente.
Sim , pouco nos conhecemos. Talvez por isso, este amor, foi assim, estranhamente intenso e inquietantemente profundo .
Não, não por favor!! Eu sei que tu tens imensa coisa para me dizer; hás-de querer de certeza lembrar-me que, também tu, me amaste embora não desta forma, quase doentia, como te amei; hás-de querer, quiçá, falar-me das vezes que te lembras do meu perfume, da minha voz, das minhas palavras, dos meus beijos.
Deixa. A sério, não digas nada.
Guarda, para ti, as vezes que os meus olhos te falavam de coisas inconfessáveis, que eu farei o mesmo.

Afinal, sabes, sim tu sabes, quantas pessoas poderão dizer o mesmo que nós?
Quem poderá falar de uma paixão deste tamanho?
Guarda, guarda na sombra acetinada e protegida de uma gaveta especial, no teu coração, a memória deste meu amor.
E, aproveita, corta uns amores-perfeitos e mete-os lá nessa gaveta. Mexe-lhes, apenas, quando sentires que a morte se aproxima.
Repara , então ,que das as pétalas secas, se evola ,nítido, o meu perfume .

O meu amor continua vivo.




E.G.

sábado, 31 de dezembro de 2011

A historia extraordinaria de uma menina que lutou contra um cancro


Apenas quase 3 anos depois da sua morte me chega a sua historia.Entra-me em casa , atraves de um programa de Tv que me irrita ate um bocadinho, mas que, hoje, me prendeu imediatasmente.Chama-se Extreme qualquer coisa.
Hoje falava de uma menina americana que lutava corajosamente contra um cancro dos piores, cuja familia vivia numa casa cujas condiçoes eram incompativeis com a sua doença. Uma historia de terror misturada com um conto de fadas.
Chorei muito , muito..Nao sei se pela menina que sofreu tanto ou se pela familia amputada.Nao sei se pela coragem dela, (morreu aos 8 anos e que percurso de sofrimento!!)ou pelo facto de eu nada poder fazer mesmo que vivesse.
Estou-lhe grata, porem , pela luz que afinal tambem derramou sobre a mimnha vida.
Obrigada Boey

sábado, 17 de dezembro de 2011

Como Salazar perdeu a India




Um certo portugal começava a ruir há 50 anos. A 22 de Janeiro de 1961, um comando liderado por Henrique Galvão tomava o paquete português Santa Maria.

A 4 de Fevereiro, o MPLA atacava a cadeia de Luanda e ateava o rastilho para a guerra de libertação de Angola – onze dias depois, a UPA matava e esquartejava mais de 800 pessoas no Norte. Entre Março e Abril, o ministro da Defesa Botelho Moniz tentava e falhava um golpe palaciano para afastar António de Oliveira Salazar do poder.

As eleições legislativas de 10 de Novembro, manipuladas, são precedidas de intensa agitação. Dois dias antes, um voo da TAP que ligava Casablanca a Lisboa era tomado por opositores do regime que lançaram milhares de panfletos sobre a capital e o Sul do país. Na véspera da votação, um grupo de militantes comunistas foge de Caxias num carro de Salazar. Seguir-se-ia o assalto ao quartel de Beja.

Mas era longe da metrópole e de África que o Portugal colonial iria sofrer, ainda em 1961, a sua primeira amputação. A história da queda do Estado Português da Índia tornar-se-ia paradigmática do autismo do regime perante pressões internas e alterações externas. E tornar-se-ia uma história sobre como se conta uma história: como se quiser contar.

Índia pouco portuguesa

Goa, Damão e Diu. Gerações memorizaram estas três palavras como pedaços de um Portugal que ia do Minho a Timor. Capítulo inquestionável da história lusa no Oriente, a portugalidade do Estado da Índia era no entanto dúbia.

Segundo o censo de 1940, dos seus 624.177 habitantes, apenas 1.371 eram descendentes de portugueses. Um terço professava a fé católica, mas apenas 1,1% da população falava português. «Goa não é uma província portuguesa», concluía à data o diplomata espanhol Juan Carlos Jiménez, citado em Xeque-Mate a Goa, o livro da investigadora Maria Manuel Stocker que conta a verdadeira história do fim da presença portuguesa na Índia. «Goa tem todo o aspecto de uma colónia.

Uma minoria portuguesa ocupa os postos fundamentais, secundados por uns poucos goeses. Existe uma pequena classe média comercial, geralmente hindu ou muçulmana, e o resto da população é simplesmente a típica massa amorfa da Índia, apática, faminta, doente, totalmente indiferente e ignorante de problemas que não sejam os de resolver o milagre diário da alimentação», sentenciava.

Vizinha da União Indiana, que conquistara a independência do Reino Unido em 1947, a Índia Portuguesa, pouco industrializada e de parca capacidade agrícola, dependia economicamente do outro lado de uma fronteira porosa. Goa, Damão e Diu, argumenta Stocker, faziam geográfica, social, cultural, linguística e religiosamente parte da vizinha Índia, não tinham valor nem na economia nem na demografia portuguesas e eram sobretudo fonte de encargos.

Mas, na metrópole, a narrativa era outra – a de que Goa era e queria continuar a ser portuguesa. Contava o Século Ilustrado de 29 de Março de 1947 que, contra «vozes vindas da Índia inglesa» que clamavam o fim da presença lusa, «a população em espectaculosas manifestações pediu que Goa permanecesse portuguesa». O ajuntamento era organizado pelo regime.

Fracasso diplomático

Desde a independência que a Nova Deli de Jawaharlal Nehru reclamava a integração da Índia Portuguesa na União Indiana. Era um imperativo ideológico e nacional. Lisboa, por seu turno, queria preservar a integridade da república unitária e evitar um precedente em relação às restantes colónias. Para o efeito, Portugal alterou em 1946 a designação de ‘colónia’ para ‘província ultramarina’, estreando a Índia Portuguesa o novo estatuto.

O conflito era inevitável e o contexto seria favorável à Índia. A Inglaterra, tradicional aliada de Portugal, deixara de ser o fiel da balança internacional. Londres, interessada em manter boas relações com Nova Deli, não mais poderia mediar conflitos num mundo polarizado entre Estados Unidos e União Soviética. Washington e Moscovo eram anticolonialistas e o mesmo carácter tinha a recém-criada Organização das Nações Unidas. Todos cortejavam a Índia.

A contenda foi inicialmente diplomática. Como para romper relações seria necessário estabelecê-las primeiro, portugueses e indianos encetaram laços formais em 1949 – Nova Deli quebrou-os em 1953, perante a ausência de diálogo sobre Goa. A questão internacionaliza-se depois, com intervenções de Nehru na ONU e nas conferências dos países não-alinhados. Salazar mobiliza a diplomacia lusa para uma ofensiva mediática junto dos países aliados. O argumentário centrava-se em três pontos: que a Índia Portuguesa fazia parte da nação há 450 anos, que o regime não discriminava raças ou credos e, por fim, que Goa era um posto avançado na luta contra o comunismo.

Mas os argumentos não colhem. Ignorado por Londres, Washington e a Santa Sé, condenado pela ONU, o regime explorou soluções alternativas para a questão de Goa, alvo de um bloqueio económico e de acções de desobediência civil. Muitas ponderadas à porta fechada, porque questionavam princípios sagrados do Estado Novo. Francisco da Costa Gomes, subsecretário de Estado do Exército, propõe a Salazar em 1960 a realização de um referendo. Questionado sobre um possível veredicto, responde ao Presidente do Conselho: «Se tivermos entre 7 e 10% dos votos a favor podemos considerar que a nossa acção na Índia foi uma soma muito positiva. Porque a Índia não é portuguesa». Exploraram-se contactos secretos com o Paquistão e mesmo com a China comunista, a quem seria oferecida uma base naval.

Batalha ficcionada

Nos anos de 1960 e 1961, a ameaça da guerra em África leva o regime a desinvestir na Índia. Os 12.000 militares que nos anos 50 defendiam o território passam a 3.500. Para Nova Deli, é o momento de agir. Lisboa conhecia os planos de invasão desde o Verão de 1961, mas em vez de um reforço militar optou por nova ofensiva mediática centrada na vitimização de uma pequena nação perante um inimigo pró-soviético. Salazar previa uma «heróica defesa» de portugueses e goeses. Mais do que prever, exigiu-a por telegrama ao governador Manuel António Vassalo e Silva, recomendando um «sacrifício total» e declarando que «pode haver apenas soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos». Lisboa transportou para Goa jornalistas portugueses e estrangeiros. Seriam observadores independentes do sacrifício português, mas acabaram por testemunhar algo totalmente diferente.

A guerra estala na manhã de 17 de Dezembro de 1961 com a morte de dois soldados portugueses em Maulinguém. É decretada a mobilização de todos os militares no activo residentes em Goa, mas apenas um tenente miliciano se apresenta às autoridades. Era o prenúncio do desaire. À meia-noite do dia 18, a Marinha e a aviação indianas iniciam o bombardeamento de posições estratégicas e dão cobertura à entrada de 45.000 soldados em território português. A aviação lusa era ali inexistente e as forças navais incapazes de responder ao fogo inimigo. Um pelotão de artilharia anti-aérea português chegara na noite anterior, no último voo para Goa, disfarçado de equipa de futebol, para tomar posições no aeroporto de Dambolim. Encontram armamento do início do século e munições inutilizadas pela humidade.

As forças portuguesas em Goa antevêem o avanço rápido dos indianos e chegam a ponderar um golpe para decretar a rendição do território. Os oficiais acabam por optar por uma resistência mínima com o disparo de «uns tiros simbólicos». Assim sucede, com a excepção de episódios isolados como o do segundo-tenente Oliveira e Carmo, que em Diu dirige a lancha Vega contra um cruzador indiano e repele vários ataques aéreos. Morreria ao lado de dois outros militares. Ao final da noite de 18 de Dezembro, a bandeira branca esvoaçava em Pangim. A invasão salda-se na morte de 20 portugueses e 21 indianos.

Militares castigados

O sangue derramado não seria suficiente para Salazar escrever a sua narrativa. Recorre à mentira. Em Lisboa, os jornais dão conta da morte de mais de mil portugueses. Os títulos galvanizam a opinião pública em torno do regime mas deixam milhares de famílias de coração nas mãos. Estas só saberiam do destino dos seus filhos meses depois. Os militares portugueses foram aprisionados em campos de concentração indianos. No outro lado do Índico, Portugal retaliava com a detenção de 12.000 indianos em Moçambique. A troca dos reféns acontece a partir de Maio de 1962. O regresso a Lisboa é discreto e inglório. Desembarcam sob a mira das armas da Polícia Militar, são colocados em comboios e encaminhados para as respectivas unidades mobilizadoras. Só depois voltam a casa, cinco meses após a notícia de uma possível morte em terra distante. Dez oficiais do Exército seriam demitidos, cinco reformados compulsivamente e nove suspensos por seis meses.

Goa seria rapidamente esquecida perante o agravamento do conflito em África. Os 463 anos de domínio português na Índia terminariam como uma nota menor da história do Estado Novo, cumpre-se este domingo 50 anos.

pedro.guerreiro@sol.pt

Mulheres, uma das nossas morreu

Aos 70 anos, calou-se a voz da “Diva dos Pés Descalços”, como ficou conhecida a cantora cabo-verdeana.

Em 2004 conquistou um prémio Grammy de melhor álbum de “world music” contemporânea. Em 2009, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, distinguiu-a com a medalha da Legião de Honra entregue pela ministra da cultura francesa.

Em Setembro de 2011, depois de cancelar um conjunto de concertos por se encontrar muito debilitada, a sua editora, a Lusáfrica, anunciou que a cantora pôs um ponto final na sua longa carreira.




A “rainha da morna”, como Cesária Évora também era chamada, morreu esta manhã no hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, Cabo Verde, onde se encontrava internada desde sexta-feira.

A notícia foi confirmada à Lusa pelo director clínico do hospital, que explicou que a morte ocorreu por volta das 11:20 de hoje por "insuficiência cardio-respiratória aguda e tensão cardíaca elevada".

Alcides Gonçalves disse ainda que desde que Cesária deu entrada no hospital esteve internada nos serviços de cuidados intensivos "com um quadro muito complexo".

"Durante este período, ela alternou momentos de lucidez com momentos de inconsciência e esteve sempre acompanhada do seu empresário José da Silva", disse o director.



Cesária Évora condecorada em França
Cantora cabo-verdiana recebeu as insígnias de Cavaleiro da Legião de Honra



A cantora cabo-verdiana Cesária Évora recebeu, hoje, em Paris, das mãos da ministra francesa da Cultura, Christine Albanel, as insígnias de Cavaleiro da Legião de Honra.
'Esta condecoração representa a minha carreira e a aceitação', comentou, à agência Lusa, Cesária Évora.
'Estou muito contente por saber que o Jacques Chirac [ex-Presidente da República Francesa] pensou em mim e me deu esta Legião de Honra', acrescentou a cantora.
O papel desenvolvido pela artista cabo-verdiana no panorama cultural e, em particular ,na área musical a nível mundial está na origem da condecoração com que Cesária Évora foi distinguida, em 2007, pelo então Presidente da República, e que hoje lhe foi entregue pela ministra Christine Albanel.
Cesária Évora 'fez entrar os ritmos cabo-verdianos no património musical mundial', disse a ministra.
Segundo ela, apesar do sucesso e das inúmeras distinções, Cesária Évora 'continuou a ser essa cantora de presença descontraída, que o público, maravilhado, descobriu em Lisboa e depois em Paris.'

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Exposiçao de pintura "Traços e Laços"

Inaugurou-se ontem a minha exposiçao de pintura "Traços e Laços" na Casa dos Transmontanos e alto-Durienses no Porto.
Estiveram presentes para alem dos meus amigos e familaires que resistiram estoicamente a tarde chuva muitos dos associados daquela colectividade alguns dos quais socios-fundadores,que tive a honra de conhecer e de ser agraciada com os seus elogios.
É o caso do Sr Dr. Barroso da Fonte Socio nº 1,poeta,jornalista,filosofo,historiador e escritor de uma extensa lista de livros, vereador da Cultura e Desporto da cidade de Guimaraes;
Do Sr. Augusto Barrias, propritario dos miticos cafes da cidade do Porto, Majestic e Guarany, este ultimo com 2 quadros fabulosos da pintora transmontana Graça Morais.
Do Sr Moura, Presidente da Associaçao;
Da Drª Ulema Pinto, vice-presidente e que tem a seu cargo o pelouro da cultura, a quem devo , todo o interesse desde o inicio para a realizao deste evento,
A todos, o meu sentido muito obrigada

a

domingo, 11 de dezembro de 2011

A Revolta das Palavras- um texto para ler devagarinho

A TRAPEIRA DO JOB
post por José António Barreiros em 2011.10.11

Isto que eu vou dizer vai parecer ridículo a muita gente.
Mas houve um tempo em que as pessoas se lembravam ainda, da época da infância, da primeira caneta de tinta permanente, da primeira bicicleta, da idade adulta, das vezes em que se comia fora, do primeiro frigorífico e do primeiro televisor, do primeiro rádio, de quando tinham ido ao estrangeiro.
Houve um tempo em que, nos lares, se aproveitava para a refeição seguinte o sobejante da refeição anterior, em que, com ovos mexidos e a carne ou peixe restante se fazia "roupa velha". Tempos em que as camisas iam a mudar o colarinho e os punhos do avesso, assim como os casacos, e se tingia a roupa usada, tempos em que se punham meias solas com protectores. Tempos em que ao mudar-se de sala se apagava a luz, tempos em que se guardava o "fatinho de ver a Deus e à sua Joana".
E não era só no Portugal da mesquinhez salazarista. Na Inglaterra dos Lordes, na França dos Luíses, a regra era esta. Em 1945 passava-se fome na Europa, a guerra matara milhões e arrasara tudo quanto a selvajaria humana pode arrasar.
Houve tempos em que se produzia o que se comia e se exportava. Em que o País tinha uma frota de marinha mercante, fábricas, vinhas, searas.
Veio depois o admirável mundo novo do crédito. Os novos pais tinham como filhos, uns pivetes tiranos, exigindo malcriadamente o último modelo de mil e um gadgets e seus consumíveis, porque os filhos dos outros também tinham. Pais que se enforcavam por carrões de brutal cilindrada para os encravaram no lodo do trânsito e mostrarem que tinham aquela extensão motorizada da sua potência genital. Passou a ser tempo de gente em que era questão de pedigree viver no condomínio fechado e sobretudo dizê-lo, em que luxuosas revistas instigavam em couché os feios a serem bonitos, à conta de spas e de marcas, assim se visse a etiqueta, em que a beautiful people era o símbolo de status como a língua nos cães para a sua raça.
Foram anos em que o campo tornou-se num imenso resort de turismo de habitação, as cidades uma festa permanente, entre o coktail party e a rave. Houve quem pensasse até que um dia os serviços seriam o único emprego futuro ou com futuro.
O país que produzia o que comíamos ficou para os labregos dos pais e primos parolos, de quem os citadinos se envergonhavam, salvo quando regressavam à cidade dos fins de semana com a mala do carro atulhada do que não lhes custara a cavar e às vezes nem obrigado.
O país que produzia o que se podia transaccionar esse ficou com o operariado da ferrugem, empacotados como gado em dormitórios e que os víamos chegar, mortos de sono logo à hora de acordarem, as casas verdadeiras bombas relógio de raiva contida, descarregada nos cônjuges, nos filhos, na idiotização que a TV tornou negócio.
Sob o oásis dos edifícios em vidro, miragem de cristal, vivia o mundo subterrâneo de quantos aguentaram isto enquanto puderam, a sub-gente. Os intelectuais burgueses teorizavam, ganzados de alucinação, que o conceito de classes sociais tinha desaparecido. A teoria geral dos sistemas supunha que o real era apenas uma noção, a teoria da informação, substituía os cavalos-força da maquinaria pelos megabytes de RAM da computação universal. Um dia os computadores tudo fariam, o ser humano tornava-se um acidente no barro de um oleiro velho e tresloucado, que caído do Céu, morrera pregado a dois paus, e que julgava chamar-se Deus, confundindo-se com o seu filho e mais uma trinitária pomba.
Às tantas os da cidade começaram a notar que não havia portugueses a servir à mesa, porque estávamos a importar brasileiros, que não havia portugueses nas obras, porque estávamos a importar negros e eslavos.
A chegada das lojas dos trezentos já era alarme de que se estava a viver de pexibeque, mas a folia continuava. A essas sucedeu a vaga das lojas chinesas, porque já só havia para comprar «balato». Mas o festim prosseguia e à sexta-feira as filas de trânsito em Lisboa eram o caos e até ao dia quinze os táxis não tinham mãos a medir.
Fora disto os ricos, os muito ricos, viram chegar os novos-ricos. O ganhão alentejano viu sumir o velho latifundário absentista pelo novo turista absentista com o mesmo monte mais a piscina e seus amigos, intelectuais claro, e sempre pela reforma agrária e vai um uísque de malte, sempre ao lado do povo e já leu o New Yorker?
A agiotagem financeira essa ululava. Viviam do tempo, exploravam o tempo, do tempo que só ao tal Deus pertencia mas, esse, Nietzsche encontrara-o morto em Auschwitz. Veio o crédito ao consumo, a conta-ordenado, veio tudo quanto pudesse ser o ter sem pagar. Porque nenhum banco quer que lhe devolvam o capital mutuado quer é esticar ao máximo o lucro que esse capital rende.
Aguilhoando pela publicidade enganosa os bois que somos nós todos, os bancos instigavam à compra, ao leasing, ao renting ao seja como for desde que tenha e já, ao cartão, ao descoberto autorizado.
Tudo quanto era vedeta deu a cara, sendo actor, as pernas, sendo futebolista, ou o que vocês sabem, sendo o que vocês adivinham, para aconselhar-nos a ir àquele balcão bancário buscar dinheiro, vender-mo-nos ao dinheiro, enforcar-mo-nos na figueira infernal do dinheiro. Satanás ria. O Inferno começava na terra.
Claro que os da política do poder, que vivem no pau de sebo perpétuo do fazer arrear, puxando-os pelos fundilhos, quantos treparam para o poder, querem a canalha contente. E o circo do consumo, a palhaçada do crédito servia-os. Com isso comprávamos os plasmas mamutes onde eles vendiam à noite propaganda governamental, e nos intervalos, imbelicidades e telefofocadas que entre a oligofrenia e a debilidade mental a diferença é nula. E contentes, cretinamente contentinhos, os portugueses tinham como tema de conversa a telenovela da noite, o jogo de futebol do dia e da noite e os comentários políticos dos "analistas" que poupavam os nossos miolos de pensarem, pensando por nós.
Estamos nisto.
Este fim de semana a Grécia pode cair. Com ela a Europa.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

ONU escolhe filipina nascida em Manila .Afinal, onde nasceu o bebé sete mil milhões?


A ONU felicitou hoje simbolicamente uma filipina, Danica May Camacho, nascida com 2,5 quilogramas pouco depois da meia-noite em Manila, como o bebé sete mil milhões. No entanto, a escolha não é pacífica: Índia e Rússia também reclamam para si o título. Tecnicamente, ninguém sabe ao certo onde nasceu ou nascerá o habitante que assinala mais um degrau de mil milhões na escalada demográfica global.


Ainda assim, e apesar da contestação, funcionários das Nações Unidas já visitaram e presentearam os pais da pequena Danica com um bolo de chocolate onde se pode ler “bebé sete mil milhões”.

A menina, cujo nome significa “estrela da manhã”, contará ainda com uma bolsa que visa assegurar o seu acesso à educação e os pais vão receber ajuda financeira para poderem abrir uma loja. Os pais de Danica, que tem um irmão mais velho, mostraram-se surpreendidos com o feito e não resistiram a dizer que a menina é “linda” e “amorosa”.

As Filipinas contam com quase 95 milhões de habitantes, com 10% das raparigas entre os 15 e os 19 anos a serem mães. Enrique Ona, um dos responsáveis pela pasta da saúde no país, espera por isso que este marco ajude as Filipinas a resolver vários problemas relacionados com a população.

O bebé seis mil milhões e o bebé cinco mil milhões, da Bósnia e Croácia, respectivamente, já acusaram as Nações Unidas de os terem destacado na altura e ignorado ao longo das suas vidas. Em 1999, quando nasceu Adnam Nevic, o sérvio eleito como o habitante número seis mil milhões do planeta, o próprio secretário-geral da ONU, então Kofi Annan, pegou-o ao colo, numa cerimónia mediática.

A própria ONU reconhece porém que os seus cálculos não permitem dizer, com exatidão, se é hoje de facto que a população chega aos sete mil milhões, devido ao grau de incerteza das previsões demográficas. “Mesmo o melhor dos censos tem uma margem de erro de três por cento”, disse ao PÚBLICO Álvaro Serrano, coordenador da campanha “Sete Mil Milhões de Acções”, lançado pelo Fundo das Nações Unidas para a População.

Mesmo um por cento de margem de erro – admitido nas previsões demográficas da ONU – significa que o bebé sete mil milhões tanto pode nascer hoje, como ter nascido há seis meses ou vir a nascer até Abril de 2012. O Departamento de Censos dos Estados Unidos – uma das principais fontes de dados demográficos mundiais, além da Divisão de População das Nações Unidas – prevê para Março do próximo ano a meta dos sete mil milhões.

Ainda assim, com base na sua melhor estimativa, a ONU decidiu assinalar simbolicamente hoje – com uma conferência de imprensa do secretário-geral Ban Ki-moon esta tarde, em Nova Iorque – a chegada a um novo patamar da população mundial. E a filipina Danica Camacho apresentou-se primeiro para ficar com as honras da efeméride, reivindicada por pelo menos mais dois países.

A Índia é um deles, depois de a organização Plan International ter anunciado que o bebé sete mil milhões é uma menina chamada Nargis e nascida em Uttar Pradesh, onde há 11 novas crianças por minuto. Situação semelhante à que acontece na Rússia, onde há dois bebés candidatos ao título, das regiões de Kamtchatka e Kaliningrado.

Contagem decrescente
A contagem decrescente o dia de hoje começou há dez meses, no 19.º andar de um arranha-céus de Manhattan, o número 2 da Praça das Nações Unidas. Uma equipa de cinco demógrafos de várias nacionalidades, cada um encarregado de 40 países, territórios e áreas, começou a recolher e trabalhar dados – incluindo do Afeganistão, onde não se realiza um censo desde que a União Soviética invadiu o país, em 1979.

Se 2011 for o ano certo para este novo marco, a população global então terá aumentado mil milhões de habitantes em apenas 12 anos. Os primeiros mil milhões assinalaram-se em 1804 e os demais saltos deram-se em 1927 (123 anos depois), 1960 (33 anos) e 1974 (14 anos), 1987 (13 anos) e 1999 (12 anos). Depois da explosão demográfica do século XX, o ritmo de aumento está a abrandar. Ainda assim, a população mundial deverá chegar a 9,3 mil milhões em 2050 e aos 10 mil milhões em 2100, segundo as mais recentes projecções da ONU.