A minha mesa de café, o meu banco de jardim, o meu muro de lamentações, a minha varanda para o mundo

segunda-feira, 21 de março de 2016

Roma

Visitei pela 1ª vez Roma ,este ano em Setembro. Deixo para ja meia duzia de fotos e mais tarde falarei dos pormenores. Ca ficam, sobretudo para quem nao conhece.












Receita de pão

Há tempos o meu amigo Diogo telefonou-me e a paginas tantas informa-me que estava a ver crescer o pão. Nao entendi logo porque eu estava muito longe de supor que o Diogo que conheço "long time ago", seria capaz de um dia por as mãos na massa , literalmente , e fazer pao para se deliciar com a família sobretudo com o filho mais  para velho que come 5 -6 pães de uma só vez.
Como nao quero engasgar-me com uma curiosidade nao satisfeita quis saber logo como fazia ele o pao. E ele, solícito e desvanecido no seu papel de mestre, passa-me via telemovel a sua receita inteirinha - que diga-se de passagem nao é muito grande.
Ora isto, ressuscitou em mim ternas memorias de mãos enfarinhadas, da minha mãe, avo, tias etc, de corpos dobrados em arco sobre a masseira, mangas arregaçadas e lenço a apertado atrás da nuca e nao cedi a nostalgia.
No dia seguinte levantei-me e quando pus o pé pela 1ª vez na rua foi para o supermercado que dirigi os passos. E  la vim eu triunfal com  1 kg de farinha e 3 pacotinhos de fermento desidratado.
 Dessa vez a coisa foi mais complicada porque a massa agarra-se sempre aos dedos e eu enfarinhei de tal forma e tantas vezes as mãos e o balcão,  que o pão acabou por ficar um pouco mais pesado. Acresce dizer que da receita do Diogo constava para medida de fermento uma colher de cafe e eu despejei na massa o pacotinho inteiro, nao fosse o Diogo ja estar um bocadinho toldado  :) àquela hora tardia e ter-se enganado na medida
Bom  a coisa foi melhorando, já fiz pão para mim e para oferecer e então sem mais delongas vou deixar a receita:

1 kg de farinha (eu prefiro de mistura)
1 colher de café de fermento( eu meço a olho deitando um bocadinho na mão )
1 pitada de sal
agua  7,5/ 8 dl.

Se fizer 500 grs de farinha junte 4 dl de agua


Pegue numa caçarola alta de plastico ou aluminio . convem que tenha 20 com de altura por 25 ou mais cm de largura para a massa nao lhe saltar para fora quando levedar.
Deite na caçarola a farinha que pretender 500grs ou 1 kg.
Junte a agua aos poucos o sal (a gosto) eu deito a olho mas será uma colher de cha.
Mexa a passa ate estar sem grumos. Se gostar do pão tipo pão de agua (que eu digo olhudo) a quantidade de agua é maior ou seja a massa fica mais mole . Mas atenção vai-lhe ser muito mais difícil o moldar o pao. E no tabuleiro vai ficar mais espalhado.
Pronto. Agora deixe levedar.
 Agora umas informaçoezitas  adicionais:
Eu preparo o pao  por volta da meia noite. cubro a massa depois de bem mexida com um pouco de farinha( apenas por instinto e talvez para me parecer melhor) tapo com um pano e deixo levedar toda a noite mais ou menos 9 horas.De manha polvilho o balcao com farinha e com o "salazar" , leia-se rapador verto la a massa . Entretanto ligo o forno nos 220 graus, Ao introduzir a espatula ou o proprio rapador na massa ela vai descer muito. Nao se deixe intimidar. Ela crescerá na mesma.

Geralmente faço 2 paes . No entanto rende muito mais se o pao for inteiro porque as fatias sao mais largas ,logo melhor para fazer torradas e porque me rende mais.Para ele estar fresco corto a meio e congelo metade.
Continuando:
Antes de "enfornar" molde as duas bolas de pao ou uma simplesmente polvilhe o pano com que tapou a massa com farinha e deixe repousar um bocadinho, polvilhando o pao com farinha tambem. Depoiis pegue no tabuleio onde o vai cozer, coloque-o dentro do forno e desça imediatamente a temperatura do forno para os 180º. Fecha a porta e prepare uma folha de alumínio para lhe colocar por cima se vir que o pao esta a ficar muito queimado. Eu delicio-me a espreita-lo e a ve-lo crescer. Deixe cozer entre 40 a 50 minutos , e depois tire do forno.
Para estar bem cozido tem de vira-lo ao contrario, bater com os nos dos dedos e ele fazer toc-toc. Depois coma quentiinho com manteiga ou o que quiser. Ou deixe arrefecer e coma depois. Se o comer quente siga o conselho de quem sabe: Nao beba agua fria.

 Um dia destes vou dar outra receita tambem muito facil mas que o pao coze dentro de uma forma ou panela, com tampa.


domingo, 20 de março de 2016

E como este blogue foi criado para eu falar das coisas mais diversas por que nao a receita dos pasteis de Chaves???

 A receita foi-me enviada por um brilhante gastronomo e transmontano Dr Virgilio Gomes nao porque eu seja uma brilhante cozinheira mas porque apos um elogio sobre a sua brilhante investigaçao e divulgaçao das receitas tradicionais me deve ter adicionado aos seus endereços e recebo por mail as suas publicaçoes. Bem-haja Dr Virgilio Gomes!
 Ora ca fica entao a receitinha meus amigos. É so fazer copy-paste do link.

 http://www.virgiliogomes.com/index.php/cronicas/725-pastel-de-chaves
Descobri ,um bocadinho envergonhada com a minha inépcia ,quiçá a minha ignorância , que, ao ir buscar as mensagens que constavam da lista de mensagens como rascunhos ao mudar-lhe a situação  portanto publicando-as estas assumiriam a data do rascunho. Tolamente, pois. dai que as 2 anteriores mensagens foram rascunhadas há 2 ou 3 anos atrás pelo que peço as minhas mais veementes desculpas pelo non-sense, a diacronia. Nao os elimino (respondendo à legitima e natural pergunta que baila nesses cérebros)  porque escrevendo muito pouco  sempre fica-  para encher como os chouriços. e pelo menos para tomarem conhecimento das minhas tentativas de dissertação  profunda.
 Agora apenas para nem para encher chouriços nem como dissertação profunda uma informação meteorológica: chove neste momento na cidade do Porto, nao há vento e a temperatura a esta hora da noite deve rondar os 7 º C .
Boa noite, abriguem-se e abafem-se,se estiverem fora de casa. :)
Perde-se no galgar voraz do tempo o numero de doenças,pandemias, surtos epidemicos, e quejandos que nos torna o viver muito mais dificultado pelo temor, legitimo, de contrair a doença. Desde a doença das vacas loucas, a gripe das aves, e a Gripe A ,o Zika mais recente, os mil e um surtos que conheço e os milhares e milheres  que desconheço tudo serve para atormentar o cidadao comum.
Num domingo à noite, que não se passa nada ,numa noite que decido nada fazer para alem do sentar-me no meu sofa com o portatil sobre as pernas a navegar no cyber espaço ,decido dar uma espreitadela aos canais de telelvisao.
Primo no comando a tecla 1 que me da a RTP e vejo, estupefacta, 3 ou quatro homens atras de um outro que ladrava , andava a quatro patase imitava em tudo o comportamento de um canideo. Um deles que era o Bruno Nogueira pos o “cão” fora da casa, dando-lhe mesmo uma leve pontape…E eu, estupefacta, assisti durante uns instantes a isto, que passa em horario nobre, a preço de ouro para quem , desgraçadamente nada mais pode ver.
Pude ainda ver que o “cão” se masturbava nas pernas dos dois senhores e a seguir_possivelmente, depois de já estar satisfeito,ou pensarem que estaria- atirararam-lhe com um pau para a piscina e o desgraçado correu atras do pau e lançou-se mesmo lá para dentro!E o meu queixo, se calhar, ate baloiçava um pouco, pois a minha boca continuava aberta, tal era o meu espanto.Não exagero.
Não sei se se trata de um directo. Talvez sim e lhe tenha sabido bem ,, um banho refrescante, dada a alta temperatura que hoje se fez sentir. Mas se é gravado.. .que vida de cao!!
De qualquer forma o meu protesto veemente. Pela mensagem implicita ,que tem o tratamento desumano dado ao “ cão “de duas perna.
Precisamos de programas que eduquem , que sensibilizem, para os cuidados que nos devem merecer os nossos amigos de quatro patas e não o contrario. E depois alguem que me diga se a RTP não tem de ser privatizada dado o seu desempenho quer no que tange à produçao de bons programas como pelos vistos e especificamente à sua ineficiente e ineficaz gestao.
É que o dinheirinho que eu desembolso todos os meses do meu ordenado é para tapar os inumeros buracos que uns quantos administratadores deste pais, regiamente pagos , fizeram ou deixaram fazer nas mesmas administraçoes a que pertenciam. E digam-me, vá, digam-me porque eu sou muito burra ,quiça atrasada mental , digam-me onde está a piada de um programa destes.
Não servirá apenas para prolongar ad eternum o nosso analfabetismo, o nosso atraso, a nossa incultura ???

Marcelo e Francisco

 É indizivel o que sinto ao olhar esta foto. Esta e mais uma ou duas da mesma serie publicada pela impressa escrita. Fiquei muito calada e quieta a olha-la, presa das maos do Papa Francisco.  Maos que falam. Falam ,dançam , cantam,cantam hinos.  Maos que bradam, maos que resgatam, maos que abençoam  e pacificam. Maos. Dois homens. Quatro maos. A mesma conversa.  Uma só sintonia.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Sobre a minha tia ;sobre doenças, sobre maus Lares e pessimos filhos.

Hoje,estou muito triste!! Talvez por isso mesmo o reatar a escrever neste Blog seja a forma que inconscientemente busquei para esquecer. Fui visitar uma tia minha ,integrada num Lar de terceira idade e cujo nome nao digo por absoluta decencia. Sou absoluta e tenazmente, critica destes armazens de velhos, desde que pus os pes pela 1ª vez, num deles ,no exercicio da minha profissao de assistente social. E quantos eu conheço!!! Mais novos ,mais velhos, grandes ou pequenos todos eles ou quase todos padecem do mesmo mal. Ha falta de gente capaz de cuidar dos idosos e quando digo capaz falo nao apenas do cumprir os requisitos basicos como sejam a higiene e a alimentaçao. Falo de um pouco mais. Falo de atençao .Falo de carinho. Falo de humanidade, ponto. É aterrador entrar numa sala cheia de idosos sentados em cadeiras encostadas as paredes dos dois lados,um em frente ao outro, de uma sala. Eles arrumados, quietos, cinzentos ,tristes, diria moribundos, sem uma centelha de vida, nos olhos mortiços. Agarrados às bengalas, com as maos engelhadas que cruzam uma sobre a outra como quem nada mais tem que fazer a nao ser esperar, numa espera silenciosa, inane e inutil. Ha os que ainda veem. Ha os que ainda falam mas as palavras sao apenas sussurros assustados. Rostos de angustia onde a vida lavrou fundos sulcos e aos quais um doloroso quotidiano vai dando o aspecto petrificado das estatuas. Habituei-me a estas imagens quase diarias. Ou melhor,nao nao me habituei. Se me tivesse habituado nao terias sido tao dolorosa a visita que hoje fiz a minha tia. Encontrei-a sentada e presa a um cadeirao, colocado estrategicamente, num canto da sala. Sofre de Alzheimer a minha tia. Nao se lembra de quase nada, como é natural em quem sofre de tao terrivel doença. Mas olhou para mim e disse imediatamente: "A minha Eulália" . E eu que ao ve-la me choquei com a imagem tao diferente da tia que eu conheci, desabei e comecei a chorar baixinho e de cara voltada para o outro lado. Era o corte e a cor dos cabelos ; era a cor da pele; sem ser palidez era a sua pele que tinha mudado de cor. Nao era ja o rosto moreno de tantos sois, era uma cor que a clausura fez forçadamente branca. Pediu-me para a levar dali. Tive de mentir e dizer que o carro estava muito longe. E ela a tratar-me por você como se eu fosse alguem que nao do seu sangue. A dizer-me para trazer de volta a caixa de bonbons que lhe levava . Nao os queria. A dizer-me que os meus primos, quando perguntava por cada um deles,a viriam buscar amanha. Os mesmos que ali a depositaram e ali a deixam passar domingos e dias santos! A minha tia que nunca se calava, que falava e ria estava ali entregue a desgraça da sua doença e do seu abandono, silenciosamente. Quando falava fazia-o como quem repete inutilmente sempre as mesmas palavras:"quero ir para a cama", "quero ir embora" Nao tenho os cordoes". era o seu ouro eram os seus cordoes de ouro , comprados a custo ,com os proventos de um trabalho arduo. Minha pobre tia!! Espoliada das suas coisas,dos seus pertences, dos seus afectos, das suas memoria !!! A minha tia presa por um cinto que lhe cobria a zona pelvica, dando-lhe apenas espaço para se baloiçar num movimento pendular e inquietantemente continuo. E eu pensava enquanto a via, se nao haveria um meio dos filhos a cuidarem na sua casa, sob as suas telhas ,a respirar o mesmo ar e apanhar o mesmo sol do lugar onde nasceu ha 84 anos. Dir-me-ao uns que sim mas a maioria decerto me dira que a ferocidade da doença nao da espaço a esses sentimentalismos." As pessoas têm de trabalhar; as pessoas tem direito a ter as suas vidas; As pessoas nao podem lutar contra a inevitabilidade da morte!" Conheço bem de mais as justificaçoes! Os meus primos, sem serem gente abastada , vivem confortavelmente,como alias vivem muitos outros filhos.A minha tia esta num Lar onde a solidao,tristeza e o abandono coabitam com a incuria e a negligencia,a como alias estao milhoes de outros idosos!!Tudo verdades de La Palisse !!! É tudo questao de decoro . E de humanidade. de uma forma e de outra. De um lado e de outro.

A foto de uma carta de Florbela Espanca

Prometi escrever mais, mas nao prometi ser mais metodica. E jamais prometerei pois nao seria capaz de cumprir e entao mais vale nao prometer. Esta é a fotografia tirada a uma carta Real,verdadeira, escrita por Florbela, por gentileza do meu amigo Figueiredo seu fiel depositário e sortudo dono. Foi uma noite encantadora a remexer escritos de grandes nomes das nossas lusas letras.
Esqueci-me mesmo deste blogue. De longe a longe lembro-me que existe mas nao tenho tempo para me sentar e escrever qualquer coisa. Ou disposição. porque tempo sempre se arranja se o quisermos. Tanta coisa aconteceu desde entao ! A foto publicada em Março de 2013 aparece isolada e com o titulo "Um amor enorme que também me morreu" E não, nao falava de um qualquer amor por alguem do sexo oposto.A perda desses amores vou-as digerindo lenta e silenciosamente. Falava da minha pequena cadela , morta em bárbaro acidente e cuja perda me deixou tremendamente abalada.Tenho agora uma outra , lindissima e que adoro mas que nao substitui de forma alguma a minha querida Frida , por quem ainda hoje choro. Sou assim. Este poço enorme de sentimento , e para rimar, de sofrimento. Voltando ao começo,rapidamente : vou ver se escrevo aqui mais amiude!